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ARTIGO
Segunda-feira, 01 de Setembro de 2008, 21h:14

ONOFRE RIBEIRO

Bisbilhotice oficial

A revelação de que a Agência Brasileira de Inteligência – Abin, grampeou os telefones do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e do senador Demóstenes Torres, da ministra-chefe da Casa Civil, e etc. etc. desnuda o lado sombrio do governo. Todo mundo sabe que as bisbilhotagens dos arapongas da Abin e da Polícia Federal são determinação do ministro da Justiça, Tarso Genro. Radical, do velho PT socialista pregador da revolução armada para conquistar ou para manter o poder, o ministro vem alimentando um terrorismo subterrâneo no governo. Quem conhece a filosofia e a metodologia da esquerda, e conhece o DNA do PT, sabe que o uso do terrorismo subterrâneo é rotineiro. Alimentar sistemas de informação e dossiês sempre foi uma especialidade dentro do PT, como, de resto foi no MDB, lá atrás. E, foi também no regime militar. Mas uma vez no poder, o PT precisou adaptar-se aos novos tempos da democracia. Não se admitem mais aquelas loucuras juvenis de esquerdistas sedentos do poder pela via armada. São tempos que se acabaram lá pelos anos 80. Quando os subterrâneos do governo abrigam paranóicos a serviço de um ministro radical, fica bem claro que ainda sobrevivem guetos esquerdistas que sonham com o poder permanente das ditaduras. Grande ilusão! Exceção de Fidel Castro, não cabem mais ditaduras eternas no mundo moderno. Vale lembrar que mesmo durante a ditadura militar os porões militares cometeram desatinos tão graves quanto a bisbilhotice atual dos telefones dos brasileiros. Por exemplo, em 1976 o sistema repressivo do Exército, conhecido como DOI-CODI, torturou e matou dentro dos quartéis em nome da preservação de poder. Claro que havia cobertura de altas patentes, mas elas não representavam a ideologia de todo o governo. Tanto, que o presidente Ernesto Geisel precisou demitir com desmoralização pública o general Ednardo Mello D´Ávila, comandante do II Exército, em São Paulo, onde o DOI-CODI tripudiava em nome do regime. Na mesma seqüência, em 1977, o presidente precisou demitir o ministro do Exército, general Sylvio Frota, outro radical. Isso sempre existiu nos governos. Naquela época era pela preservação do poder militar tomado do regime civil em 1964. Hoje, os porões do governo agem pelas mãos de alguns radicais, entre eles o ministro da Justiça, que acreditam na necessidade de se montar um poder permanente que aos poucos acabe por montar uma ditadura no país. É paranóia, diria o leitor. Mas teria que dizer isso ao ministro que, ainda mais, sonha em ser presidente da República. Na medida em que a ministra Dilma Rousseff parece ser a candidata do presidente da República à sua sucessão, mais aumenta a paranóia de disputa interna do poder, já que Genro se sente o sucessor natural de Lula. Na verdade, quando a Polícia Federal e a Abin grampeiam telefones de quem pode dar encrenca, como deu, quem manda está apostando em crises institucionais. Na prática, isso significa janelas para as distorções de tomada do poder no país. O mais incrível, é que em pleno século 21, velhos dinossauros ainda crêem na tomada do poder pela força, atrasados no tempo pelo menos 40 anos. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e das revistas RDM e Centro-Oeste [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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