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ARTIGO
Quarta-feira, 10 de Junho de 2009, 20h:53

EDUARDO PÓVOAS

Beraba bão II

Tocaram profundamente no meu coração os inúmeros e-mails que recebi quando, tardiamente, psicografei as declarações armazenadas por longos anos no fundo do meu coração sobre o povo e a querida e inesquecível (também minha) Uberaba, a princesinha do Triangulo Mineiro. Confesso que não esperava tanta repercussão. Todas, sem exceção, fizeram com que a emoção fosse transformada em sete gotinhas que saíram dos meus olhos como que prestassem mais uma homenagem às sete colinas que caracterizam a capital do Zebu. Todas, sem exceção, com palavras carinhosas e acolhedoras, parecidíssimas como as usadas pelo nosso preclaro povo cuiabano. Infelizmente, por problemas de espaço, não consegui colocar no meu primeiro artigo muita coisa da cultura, da hospitalidade e da vida do povo daquela terra. Quem não conheceu o Colégio São Benedito e seu Diretor o Prof. Minervino? Quem viveu lá o final da década de 60 lembra muito bem da “máquina” de jogar futebol de salão desse colégio, com “Perereca” no gol, um atacante fantástico como o Guerrara e outro como o Toinzinho, que depois foi para o Santos F.C. Joguei muito contra eles. Perdi algumas e ganhei outras. Quem nunca ouviu falar do poeta Mário Palmério, que do exílio nos presenteou com uma das mais lindas guaranias de todos os tempos, chamada “saudade”. Quem não conhece suas faculdades que formaram milhares de jovens por este país afora? Claro, hoje deslocada para outra parte da cidade, não tem o mesmo “tchan” quando nós, universitários, durante o recreio, nos misturávamos com as belas meninas que estudavam no Colégio Triangulo. Quem não se lembra da tarde de um domingo no campo do Independente, tão bem administrado pela família Mattar na saída para Ribeirão Preto, uma partida pelo campeonato Mineiro? Foi no campo do Uberaba Sport que vi, atrás de um dos gols, a super “máquina” do Cruzeiro com Raul, Fontana (fazendo um gol contra) Dirceu Lopes, Tostão, Zé Carlos etc. Qual estudante da minha época que nunca foi num domingo a noite tomar uma vitamina de abacate e comer uns wafles na lanchonete do “japonês” em frente ao bar Galo de Ouro? Os irmãos Árabes, donos de uma loja de móveis na Avenida Artur Machado, tiveram participação decisiva na estada de todos nós de Mato Grosso por lá. Recebíamos nossa mesada através do extinto Banco Financial de Mato Grosso que lá possuía uma agência e quando havia atraso nas remessas, eram eles que nos socorriam. Saudades do postinho de saúde do Alto da Abadia, onde dava os primeiros passos da minha profissão. Saudade da Praça do Mercado onde por quase quatro anos morei na Rua Frei Jerônimo 41 e do pão de queijo e pastel delicioso que degustávamos no mercado. Saudades das obras de caridade do Chico Xavier, das quais tenho orgulho de ter dado pequeníssimo quinhão de participação. Saudade e emoção quando abro minha pasta e leio a carta da pessoa que por cinco anos lavou minhas roupas, Dona Alverida Maria, residente à Rua Prata número 168, carta esta que guardo até hoje com muito carinho e respeito. Falar de minha juventude em Uberaba é como começar a comer amendoim. A gente não quer parar nunca. Uberaba não merece só 60 linhas. Uberaba merece 60 mil linhas, que talvez fossem muito pouco para que nelas colocasse minha gratidão ao povo, que como o cuiabano, “briga” por ser gentil, educado, generoso e hospitaleiro. * EDUARDO PÓVOAS é odontólogo [email protected]

Edição EDIÇÃO 16960




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