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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ARTIGO
Sexta-feira, 02 de Setembro de 2011, 19h:48

PAULO ZAVIASKY

Beijinho doce

Quando o mundo foi fundado não havia Sanecap e nem Cemat por aqui. Era apenas a Efla, Empresa de Força, Luz e Água. Tinha a “Casinha da Luz” que ficava no “Morro da Luz”, onde a Embratel construiu sua torre. Três pessoas ainda nem haviam nascido. Margareth Tatcher, Collor de Mello e Chico Galindo. A primeira lançou a ideia da privatização de tudo no mundo. Eu disse “tudo”. O segundo seguiu os conselhos dela e recebeu um pontapé do povo brasileiro. E o terceiro é Chico Galindo, em quem o povo cuiabano votou para deputado estadual e, também, para prefeito, pois todo mundo sabia que ele seria o titular desses sustos que ele sempre faz sorrindo, por isso todos os cuiabanos o adoram, cada dia mais. É que o povo daqui sabe a honra da palavra empenhada pelos titulares do passado, que nunca sustentam em pé o que prometeram sentados. Como, por exemplo, “Prometi ao meu povo que ficarei até o último dia de meu mandato, pois o povo de Cuiabá me elegeu para quatro anos”. Aí, o Chico de nossa história riu e embarcou nas costas do transatlântico Alencastro. A Margareth Tatcher, ex-primeira-ministra da Inglaterra, comprou de volta todos os bens que havia vendido, só que vinte vezes mais caros. Disse ao mundo estar arrependida dessa burrice comprovada. A prova está na Inglaterra. Quanto ao Collor, foi eleito agora pelo povo brasileiro para o Congresso Nacional e há quem fale chorando que ele deve retornar à Presidência nos braços do povo. Quanto a nosso Chico, não há quem não goste dele, já disse que vai concorrer à prefeitura de Cuiabá e algumas pesquisas demonstram que ele será o mais votado de toda a história da humanidade. Pelos cuiabanos. Será o prefeito da Copa do Mundo de Futebol e do Pantanal. O prefeito da Copa do Mundo vai dinamitar, mania cuiabana, a torre da Embratel e construir outra casinha da Efla no “Morro da Luz”, com cem metros quadrados e o povo cuiabano que adora os vereadores desta safra vai reelegê-los no ano que vem. Por isso, prefiro navegar em sonhos, deixando a vida levar a gente... Vendo a santidade que acontece hoje, recordo-me do maior escândalo acontecido comigo mesmo em época saudosa do rádio cuiabano. Como profissional do rádio, por concurso público, mantinha uma postura quase obrigatória de miscigenação, mistura de seriedade, arrogância e sem-vergonhice embutida. Num dia de meu aniversário, indo a pé, ao meio-dia, para a RVO, ouvindo, cumprimentando e sendo cumprimentado por todas as casas, com suas janelas encantadas, a emissora num programa do horário, denominado “Felicitações” que o povão adorava saber quem aniversariava e os envolvimentos de certas mensagens sutis, daí o sucesso, ouvi claramente o locutor José Avelino Hugueney de Siqueira, meu grande colega até hoje, filho da histórica e saudosa diretora do Grupo Escolar “Modelo Barão de Melgaço”, Diva de Siqueira, anunciar meu nome como um dos aniversariantes do dia e que “fulana de tal me dedicava com muito amor e carinho, a música “Beijinho doce”. Ora, ora, a tal “fulana” não existia e a música era inédita, um lançamento das irmãs Galvão, cujas letras me imprimiram a velocidade da luz para me esconder num dos barrancos da Prainha onde, caminhando até a emissora, por dentro daquele buraco que era aberto, cheguei sem fôlego e com a vergonha e a honra abaladas. Coisas de criança. Tal fato pessoal dinossauro no tempo, comparado com os beijos que recebemos dos políticos atuais, até me aliviam da raiva que passei com os autores dessa peraltice, o Alves de Oliveira e o Adelino Praeiro, grandes amigos e colegas profissionais da verdadeira história do rádio e da TV por aqui, embora sempre negassem tudo isso e jogassem a culpa na discotecária e locutora Elita Lopes Gardés. Afinal, nunca comprovei coisa alguma. De uma coisa, porém, tenho certeza absoluta: os escândalos de antigamente eram mais humanos, pois até matavam, mas pediam perdão a Deus. * PAULO ZAVIASKY é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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