A bocarrotice de Lula já estava praticamente silenciada e o próprio já ia caindo no esquecimento, com seu palavrório de botequim, agora ressuscitados e ganhando as manchetes da mídia. O homem, que havia se imposto uma quarentena, mandou às favas a moderação e subiu com força nos palanques midiáticos. E com a mesma gaiatice proverbial de antes e que caracterizou o ex-presidente e seus improvisos chistosos, inclusive em discursos onde, em função do decoro do cargo que exerceu por oito anos, se exigia pompa e formalidade. E nos quais ele sempre dava um jeito de embutir um caco, para gargalhada das platéias e sorrisos amarelos e envergonhados daqueles mais sensatos que ficavam se lastimando com o deboche. A postura séria, recatada, solene até, da presidente Dilma Roussef, com seu estilo completamente oposto ao de seu antecessor e padrinho político - vinha conseguindo apagar a imagem popularesca de Lula, que voltou à tona, e com todo o gás, em função da corda que recebeu logo de quem?! de Fernando Henrique Cardoso. Mamão com açúcar! Era só o que faltava para o Luiz Ignácio nadar de braçadas diante das câmeras, microfones e nas entrevistas de uma imprensa, cada vez mais ávida de matérias sensacionalistas, quesito onde o que faz sucesso e agrada o povão são os temas superficiais e que não se aprofundem naqueles questionamentos, geralmente de elaboração mais complexa, que interessem ao crescimento do debate político ou da elevação cultural. Quando a discussão desce ao rés do chão, está pronto o terreno que, por sinal, Lula domina como ninguém, por buscar falar, esperta e propositalmente, a linguagem das grandes massas despolitizadas e carentes, não só no aspecto econômico e financeiro, mas, sobretudo, de educação e conhecimento. Se Fernando Henrique Cardoso não tivesse dado trela quando deveria ignorá-lo - e respondido às críticas que Lula começou a desferir-lhe em função de artigo publicado recentemente e no qual FHC teceu observações aliás, corretas e pertinentes à conduta política equivocada da oposição, que estreita e quer bitolar o seu discurso pelo viés petista, Lula continuaria na ribalta e não teria, tão cedo ou talvez nunca, voltado à cena principal. Dona Dilma Roussef que está surpreendendo agradavelmente a Nação, por mostrar no desempenho das suas relevantes funções que não é nenhum êmulo lulista -, com sua atuação presidencial pautada por não ser espalhafatosa, vinha fazendo o serviço de enterrar politicamente Lula. Um esforço, pelo jeito, que agora pode ir por água, ou cachaça abaixo... Fernando Henrique tem razão quando afirma que o seu PSDB e a oposição como um todo estão perdendo tempo para conquistar seguidores em redutos históricos do PT, formados por aqueles segmentos do sindicalismo cevado no erário público e as grandes parcelas da sociedade brasileira que estão atreladas ao PT pelas benesses sociais, como o Bolsa Família, entre outras. Erra, porém, quando protagoniza com Lula, nesses últimos dias, um bate-boca, que já está se tornando repetitivo, além de chato. Mário Marques de Almeida é jornalista. E-mail:
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