Como eu já escrevi, a rotina do Riva vai ser esta até uma condenação. Eu disse que ele seria solto e preso novamente em outro dos tantos processos que responde. Até onde ele vai aceitar responder sozinho pelos crimes praticados com formação de quadrilha? Não é segredo que Riva sempre teve pelo menos um coadjuvante: ou era um secretário-geral que assinava os cheques com ele presidente, ou um presidente com ele secretário. Os delitos de natureza penal não tiveram andamento na época em que foram cometidos, porque os comparsas que se favoreciam dos desvios, não davam licença para ele ser processado penalmente. E eu já escrevi também que pela jurisprudência do Supremo, essa licença era desnecessária. Em meio à feitura deste artigo, Gilmar Dantas mais uma vez mandou soltar o Baixinho. Aliás, este ministro tem que ser tornado conhecido por soltar ladrões e corrutos. Porque até agora o Ministério Público não pediu a suspeição dele? Afinal, em Mato Grosso sempre se soube das suas ligações com o ex-deputado. E até quando o Supremo Tribunal Federal vai permitir que o diamantinense continue a se comportar sem o devido acato no cargo que ocupa? O processo que levou ele à última prisão me era desconhecido. Porém existe outro que foi resultado de uma das primeiras falcatruas descobertas. Foi o caso do Banco Real que fazia empréstimos consignados em nome de funcionários fantasmas da Assembleia. Quando uma pessoa, cujos documentos haviam sido usados indevidamente, fez a denúncia, Riva mandou pagar todo débito com cheque da Assembleia para tentar abafar o caso. A ação proposta pelo Ministério Público tramitou pelas varas tartarugas da Fazenda Pública e salvo engano, está hoje tramitando no grande quelônio em Brasília (STJ). A ação penal sobre este caso dificilmente vai prosperar, pois, os crimes já devem estar prescritos. A pergunta que todos estão fazendo é a seguinte: até quando Riva vai se manter calado? É sabido e ressabido que dezenas e dezenas de deputados que durante 20 anos elegeram e reelegeram o Riva para comandar a Assembleia, não o fizeram por amor ao Baixinho. Ele teria repartido o butim sem pegar as digitais dos favorecidos? E os demais que partilharam a Mesa com ele, Sérgio Ricardo, Mauro Savi, Bosaipo, Romoaldo Júnior, Silval Barbosa e Gilmar Fabris, não estariam diretamente envolvidos nos desvios perpetrados? Alguém pode achar tem muito ponto de interrogação neste artigo, mas creio que estes são os questionamentos que toda a sociedade está fazendo. Riva por 20 anos foi quem mandou e desmandou neste Estado. Arrumou com isso muitos amigos e também muitos inimigos. Quantos amigos o visitaram na prisão? *ADEMAR ADAMS é jornalista