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ARTIGO
Terça-feira, 17 de Novembro de 2015, 19h:43

RAFAEL COSTA ROCHA

As utopias de Dilma

Quem se recorda das propostas apresentadas pela presidente da República Dilma Rousseff (PT) na campanha eleitoral e acompanha as ações tomadas à frente do governo federal logo se depara com profundas contradições. A figura da gerente técnica e competente moldada por Lula dizia que não teríamos recessão, que a inflação estava sob controle e novos empregos surgiriam como em um passe de mágica. Meses depois, seu discurso começou a se enfraquecer. Para quem combatia Armínio Fraga, escolheu ainda em 2014 Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda com o intuito de montar o ajuste fiscal que tanto combatia em discurso. Escalou para ministro do Planejamento Nelson Barbosa, que divide com Levy o posto de mandatário da economia. No campo política, Dilma Rousseff, acuada pelas suas contradições e mentiras, promoveu uma renúncia branca. Entregou a coordenação política ao vice-presidente da República, Michel Temer, e viu a ascensão feroz do PMDB no Congresso Nacional. Uma mera rainha da Inglaterra. Mas, o questionamento que faço é: como pode uma candidata a presidente da República se intitular “coração valente”, posar de mandatária e na prática, passadas as eleições, se mostrar inapta técnica e politicamente ao cargo? É impossível acreditar que Dilma Rousseff e sua equipe técnica não tinha conhecimento da recessão que se vislumbrava. Antes da eleição, a indústria já estava em fase de desaquecimento atingindo negativamente empregos na região Sudeste. Mas, o auge da mentira foi reforçada em seu discurso de posse, quando classificou o Brasil como “Pátria Educadora” e dias depois promovia corte de gastos superior a R$ 5 bilhões para conter despesas e atender as regras do ajuste fiscal. Me parece que a presidente Dilma Rousseff baseia suas ideias em utopias de esquerda. Por isso, se propõe em discurso a dobrar metas inexistentes, estocar vento e até entender que cometer crime de responsabilidade conforme atestado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) é válido para atender um mero projeto de ocupação de poder. Sem propostas e sem políticas públicas eficazes que justifique a tese de gerente técnica competente, Dilma Rousseff mostra ser daquelas adeptas de esquerda que não vê critério algum a ser tomado na gestão pública, mas apenas fantasias distantes do mundo real e que é conivente com a ilicitude para manter seu posto de poder, ainda que sacrifique a maioria do povo brasileiro. RAFAEL COSTA ROCHA é repórter

Edição EDIÇÃO 16968




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