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ARTIGO
Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011, 18h:58

ROMILDO GONÇALVES

Apicultura, apicultor e fogo florestal

Formar parcerias e integrar ações público-privadas é, sem dúvida, uma ideia louvável e parece que o Sebrae está atento a isso, não? Fomentar e estimular a produção de mel no Estado é uma alternativa viável aos pequenos e médios produtores rurais, além de contribuir com a preservação da vida. Se bem trabalhada, especialmente no período da estiagem, época de intensa floração da vegetação e também de forte ocorrência de incêndios florestais, essa atividade poderá dar excelente retorno na preservação da vida e na produção de riquezas. Apoiar o homem do campo nessa atividade é sem dúvida evitar o uso aleatório do fogo florestal no meio ambiente e ao mesmo tempo oportunizar ganhos adicionais ao apicultor. Porém, para sustentabilidades dessa proposta é preciso que o governo invista em infraestrutura de capacitação de recursos humanos, formação de cooperativas e demais logísticas de apoio oportunizando bons negócios ao homem do campo. Nesse viés ganha o apicultor, que amplia e diversifica sua produção, e ganha a economia rural ambiental do Estado. Investir na apicultura é assegurar um futuro extremamente positivo ecologicamente falando a toda coletividade, além de contribuir sobremaneira com a preservação da vida. Para nós, biólogos, o apicultor é sem duvida o “aceiro vivo” que atua verdadeiramente contra o fogo florestal. Fomentar essa atividade é objetivamente viabilizar a fixação do homem no campo, é construir novos caminhos de sustentabilidade entre os poderes gestores e a sociedade humana rural. É importante ressaltar que a apicultura é uma atividade de fácil manejo, que não exige grandes investimentos e nem muito trabalho, basta criar infraestrura de suporte e deixar que a natureza resolva a questão. Depois, é só colher o mel! Ah!, acima de tudo é algo apaixonante. Vale ressaltar que o mel de Mato Grosso é de boa qualidade, porém precisa-se investir em infraestrutura e logística da cadeia produtiva, e o Sebrae tem importante papel nesse front, para treinar e capacitar recursos humanos, manejar corretamente a criação de colmeia, instalá-las em ambiente adequado, produzir, distribuir... Segundo informações do Sebrae, existem hoje em Mato Grosso inúmeras associações de apicultores extremamente interessados em organizar, crescer e produzir mel de boa qualidade. Então, por que no investir? A apicultura é uma atividade ecologicamente correta e de retorno garantido em curto prazo, portanto uma das atividades que permitem a inclusão social na zona rural. Então, por que não fomentá-la? No campo das riquezas naturais, exóticas e culturais as potencialidades brasileiras são imensas. O país tem uma gigantesca quantidade de pastos apícolas com flores das mais variadas formas, cores, odores e sabores, riquíssimas em néctares e nutrientes a serem explorados. Então, por que não aproveitá-las? Atualmente, estima-se que apenas 15% desse potencial de riquezas estão sendo utilizado. As floradas em Mato Grosso são extremamente ricas e diversificadas, proporcionando uma produção extraordinária de mel de boa qualidade, com características vegetais específicas. Portanto, a atividade apícola, se bem manejada, é uma excelente alternativa de preservação ambiental contra o fogo florestal, e de renda ao homem do campo. É isso que nós, biólogos, chamamos de casamento perfeito. *ROMILDO GONÇALVES é biólogo, mestre em Educação e Meio Ambiente, perito ambiental em Fogo Florestal, prof./pesquisador da UFMT/Seduc [email protected]

Edição EDIÇÃO 16961




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