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ARTIGO
Quinta-feira, 05 de Junho de 2014, 19h:55

VICENTE VUOLO

Amizade Brasil - Itália

De acordo com a estimativa italiana, vivem no Brasil mais de 30 milhões de descendentes de imigrantes italianos (cerca de 15% da população brasileira), metade no Estado de São Paulo. Os ítalo-brasileiros estão espalhados principalmente pelos Estados do Sul e do Sudeste. Este ano de 2014 é muito especial para nossos países. O Brasil está recebendo pela segunda vez na história, a Copa do Mundo de Futebol e nós, que também somos a pátria das chuteiras, não podemos deixar de enaltecer a contribuição italiana à grande festa que almejamos. Trata-se de mais de 100 eventos, que já estão acontecendo em cada canto do Brasil, reunidos em uma programação chamada "Itália na Copa": Concertos, exposições, gastronomia, etnologia, design, história, cinema, esporte, tudo no espírito de celebrar os inúmeros laços e pontos de encontro entre os nossos povos. Para o Embaixador da Itália no Brasil, Raffaele Trombetta, "Itália na Copa" foi um grande trabalho desenvolvido em conjunto, que recebeu apoio de muitas empresas italianas presentes no Brasil. Atualmente, existem 850 companhias italianas em funcionamento no país, com investimentos da ordem de 1 bilhão de dólares em 2013. E, os investimentos só tendem a aumentar. No 1º de julho, a Itália assumirá a presidência da União Europeia. Por isso, é muito importante que o brasileiro receba com o máximo de carinho, educação e civilidade todas as pessoas que virão de todas as partes. Serão dias determinantes para a Europa e para o Brasil. É uma grande oportunidade para os nossos países estreitarem, ainda mais, as relações e ampliar a cooperação bilateral, em busca da paz e do bem-estar de todos. A Itália não jogará em Cuiabá, mas virão outros países da Europa, Ásia, América do Sul e África. Vamos dar uma aula de hospitalidade, que o cuiabano sabe fazer como ninguém. Sou parte desta Escola. Sou parte de Cuiabá. Sou cuiabano. Mas, sou, também, sou neto de italiano. Francisco Palmieri Vuolo, imigrante da região da Calábria, se tornou comerciante no tradicional bairro do Porto. Plantou raízes, trouxe amor e paz. Enfrentou dificuldades, mas adotou o Brasil. Depois de trabalhar no Rio de Janeiro, veio para Cuiabá, onde se casou com a cuiabana Adalgiza Rosa Vuolo. Pai de três filhos, Lourdes, Rubens e Vicente. Todos bem educados. A primeira, alta funcionária da Caixa Econômica. O segundo, Procurador do Estado. E Vicente (meu pai) bancário do Banco do Brasil, advogado e político. Portanto, ao falar da Copa, não há como deixar de lembrar das duas seleções mais vitoriosas. Lembro-me com carinho, a final da Copa de 70, Brasil x Itália. Estava ao lado do meu pai, escutando pelo rádio. Era uma antiga chácara, no bairro Cidade Alta. Não tinha energia ainda. Mas, um motor a gasolina. A família toda reunida. A cada gol do Brasil (foram quatro) as alegrias se misturavam com as lágrimas das lembranças do saudoso imigrante Francisco Palmieri. Nosso desejo é o de que o Brasil seja protagonista da melhor de todas as copas. Que a amizade Brasil-Itália esteja no coração também de todos os outros torcedores nesta Copa. Que não esqueçamos a contribuição que cada país deu para o Brasil. Quando o ex-senador Vicente Vuolo completou seu último aniversário, houve uma grande festa em Brasília no Clube das Nações. Uma noite Brasil - Itália. O Embaixador da Itália participou do evento, levando de presente uma bandeira da Itália. O bolo feito em forma de um trem de ferro, com as cores ítalo-brasileiras transportava em seus vagões a harmonia, a paz e a integração dos dois países. * VICENTE VUOLOÉ Cientista Político E Analista Legislativo do Senado Federal

Edição EDIÇÃO 16969




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