ARTIGO
Quarta-feira, 11 de Março de 2009, 20h:51
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PAULO CÉZAR DE SOUZA
Algodão em Mato Grosso
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em dezembro/2008, estimou que neste ano de 2009 haverá uma redução de 20% na área colhida de algodão no Brasil. Em MT, a redução está estimada em 30%, passando de 540 mil ha em 2008 para 379 mil em 2009. Como decorrência da queda de área cultivada, espera-se também para 2009 o mesmo percentual de redução na safra de algodão para o estado. Isso porque a produtividade de 3.930 kg/ha prevista para 2009 não deve ser alterada. Em 2008, MT produziu 2,1 milhões de toneladas de algodão em caroço, e a expectativa para 2009 é de 1,5 milhão de toneladas. A queda de produção é atribuível tanto às menores disponibilidades de crédito, quanto à retração do mercado externo. A Bahia, outro grande produtor, reduzirá sua produção em aproximadamente 6,5%. É provável que a Bahia, devido à sua posição geográfica, seja beneficiada pela proximidade dos portos (menores custos de fretes) e ainda pela comercialização com o Sudeste onde se concentram as unidades de fiação, tecelagem e confecção. Pelo que se observa, o estado de Mato Grosso, no cultivo do algodão, mostra-se mais vulnerável. Apesar disso, estado segue mantendo a liderança na produção nacional. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, em função de novas tecnologias, seguem confirmando ganhos de produtividade. A comercialização de Mato Grosso atingirá cerca de 581,2 mil toneladas de pluma. Esse volume a preços médios de R$ 37 reais por arroba resultará num faturamento bruto de 1,4 bilhão de reais. Do ponto de vista estritamente fiscal, é improvável que haja instrumentos adicionais ao alcance do estado para apoio à cultura algodoeira. A razão é simples: considerando 2002-2008, para cada real de ICMS recolhido de segmento, outros quatro, em média, foram renunciados. Claramente se percebe que diretamente, o algodão contribui com menos impostos do que recebe de incentivos. Mesmo com o uso desses incentivos, a cultura tem se mostrado praticamente inviável. Ao menos, é o que consta em estatísticas recentes. A baixa rentabilidade do setor aponta custos superiores à receita em 30%. Embora essa descapitalização tenha se pronunciado mais fortemente em 2008, em 2007 já havia indicações de baixíssima margem sobre venda: menos de 2%. Os elevados preços dos fertilizantes e defensivos controlados por poucas empresas, além de expropriar os cotonicultores, drenam a riqueza aqui produzida para outros estados e para o exterior. Dos recursos movimentados pela atividade, poucos permanecem aos residentes no estado. Sem dúvida, a força econômica e a essencialidade do algodão, ambas refletidas no PIB setorial e no consumo mundial crescente, requer mudanças engenhosas na matriz de financiamento. Portanto, vários desafios estão colocados: preços cartelizados de insumos, conjuntura internacional desfavorável e doenças ameaçadoras que requerem intensas pesquisas para o uso seguro de sementes transgênicas. * PAULO CÉZAR DE SOUZA é gestor governamental e mestre em Economia pela UFMT