Ah! Que saudade me dá; ah! Que saudade me dá; do bate-papo; do disse me disse; lá do Café Nice; ah! Que saudade me dá! É claro que bate a saudade dos tempos lá de Itaquera, quando com os amigos batíamos um longo papo sobre futebol, mulheres, política, música, ditadura. Mas, se esta saudade dá para amenizar, como fiz na semana passada, indo até a terrinha e até ver, na Arena, o meu time derrotar o Atlético-MG por um 1 a 0, gol de Malcon, e encontrar companheiros de bom papo com o meu irmão Josmar, o Giba, que está lançando seu segundo livro Tem japonês no futebol, o Dinho, o Gilberto, não dá para amenizar a saudade daquilo que tínhamos como bandeira política: o PT. Nunca escondi a paixão pelo Partido dos Trabalhadores, embora faça questão de não ser filiado, como nunca escondi o amor ao Corinthians, embora como cronista esportivo muitas vezes tenha de escrever a derrota do time, o fracasso em uma competição, coisas da profissão, defino bem a linha entre o jornalista e o torcedor. Mas, sinceramente, ando desacorçoado com o PT. Nem de longe podia imaginar que este partido, oriundo da classe trabalhadora, poderia chegar onde chegou: mergulhado em corrupção, brigas pelo poder, interesses particulares de alguns de seus mais notáveis protagonistas e uma presidente no fio da navalha, cai ou não cai. O PT nasceu em São Bernardo, no ABC paulista, caminho que fiz muito para ir à Santos ou a Praia Grande, ora pela antiga Anchieta com suas curvas, ora pela Imigrantes, com seus retões. Nasceu como um partido da esperança, da confiança, da honestidade pura, da certeza que ao chegar ao poder iria acabar com o que mais existia de nefasto em nosso país: a maldita corrupção. Sonhei com isso, cresci, amadureci, me politizei com esta ideia do fim do bipartidarismo: ou era Arena ou era MDB. Meu primeiro voto foi para o MDB. Como dizia Nelson Gonçalves, aquele gaguinho que esbanjava um vozeirão na TV e em seus discos rotação 78, Ah! Que saudade me dá. Que tempos bons quando sonhávamos com um Brasil melhor, diferente, potência, com o fim da corrupção, das mazelas, da pobreza. O PT era a esperança. Nestes dias em Sampa, encontrei com um parente que nunca havia escondido a paixão petista. Para se formar em direito não teve medo de trabalhar como servente de pedreiro. Foi a luta, se formou, prestou concurso e hoje é advogado da União, salário dos deuses, merecido. Ele está enfezado com o PT. Quem não está? Não quer nem ouvir falar do partido. Eu ainda mantenho a esperança. Uma vez corintiano, uma vez petista. Mas, convenhamos vamos dar um jeito no corpo. Que dona Dilma mostre a que veio, não quero entoar o coro do impeachment. Chega de tanta coisa errada. É hora de acertar. Aliás, está passando do tempo. E eu vou continuar pensando em Nelson Gonçalves: Ah! Que saudade que me dá, do cadilac, do samba, do pão com manteiga, do puro PT. JONAS JOZINO é editor do caderno de Esportes do Diário
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