Esta semana recebi na redação um telefonema de uma moradora do bairro Boa Esperança clamando por socorro por conta do trânsito mais do que caótico da Avenida Fernanda Corrêa. Ela disse se sentir ilhada, porque com as obras da Copa está cada dia mais difícil trafegar na cidade, independente do horário, e reclamou também do andamento das obras devagar, quase parando. De fato, não há como negar que o trânsito da cidade está bem próximo do caos, e a moradora do Boa Esperança não é a única reclamar. Uma rápida enquete com certeza vai mostrar que a gritaria é geral. Afinal, não importa para que lado você vai, sempre há um desvio pela frente e com uma fila imensa de carros. Tudo por conta das obras de mobilidade urbana para a Copa de 2014. O trânsito flui melhor quando a rota do desvio foi premiada com o programa Poeira Zero, do contrário haja paciência para enfrentar a lentidão do trânsito e dinheiro no bolso para manter seu carro em ordem por conta das ruas que mais parecem um queijo suíço, tantos são os buracos. Sim, porque os prejuízos ficam por conta e risco dos proprietários dos veículos. Toda essa turbulência no trânsito, no entanto, deve acabar e dias melhores certamente virão quando as obras forem concretizadas e entregues à população. Pelo menos é o que o governo promete e diz que deve acontecer antes que os turistas comecem a aportar por aqui para a Copa de 2014. Ocorre que, pelo andar da carruagem, a Copa vai passar e as obras ainda estarão em andamento, porque no ritmo em que estão não dá pra acreditar que tudo estará pronto dentro do cronograma anunciado. Quem passa pelos canteiros de obras pode ver que o número de operários é bem reduzido e o horário de trabalho parece ser o mesmo do funcionalismo público, ou seja: de segundo a sexta, das 8h às 17h. O passo é lento mesmo. Tudo bem, a gente sabe que não há parto sem dor e que a cidade vai ficar muito melhor depois. Mas será que não dá pra acelerar um pouco mais e melhorar as vias alternativas? Até porque a gente quer acreditar que todo esse sofrimento de agora vai ser mesmo recompensado. Na iniciativa privada quando há um cronograma a ser cumprido as obras correm em ritmo acelerado, com operários trabalhando praticamente 24 horas por dia, todos os dias da semana. Por que _ faltando 594 dias para a Copa _ no setor público o ritmo tem que ser diferente? TÂNIA NARA MELO é editora de Opinião do Diário