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ARTIGO
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009, 21h:20

PAULO ZAVIASKY

A piscina dos governadores

Muitos imaginam que no passado não havia escândalos. Havia até mais do que hoje. Porém, todo mundo era muito mais inteligente nas safadezas. Hoje, um homem público como o gordo jogador de futebol Ronaldinho faz aquilo que muitos padres, pastores, mensageiros dos céus, políticos e equilibristas sociais também fazem, e, na mesma hora o mundo inteiro fica sabendo. Incompetência. Pega um travesti e faz um programa na base do “é dando que se recebe também” para a cidade vir abaixo com todo mundo só pensando naquilo, esquecendo-se dos mensalões, dinheiro na cueca, desvios de verbas, corrupção, etc. Povo interessante. Quando um político é denunciado por uma ONG é um Deus nos acuda. Mas, quando uma ONG é denunciada por cumplicidade “esposada” de desvios interessantes, contabilidade “científica”, prestação de contas de “auxílios” oficiais gigantescos, este grave assunto acaba na hora. Embora tais quadros contábeis de ONGs estejam em cima de certas mesas de Comandantes e Generais que apenas estão aguardando o estalo de dedos para realizarem uma Santa Missa Campal contra a corrupção... Certa vez houve coisas do diabo contra um negócio apelidado de “comunismo”. Agora, falam “corrupção”, crimes contra a Pátria financeira, movimentos sociais ao contrário... Sei lá, não sou militar religioso beato-praticante. Mas, os homens de nosso passado eram mais inteligentes. As autoridades faziam muito mais coisas do arco da velha, mas com enorme competência. Nem as esposas ficavam sabendo. Hoje, o cara espirra num motel escondido e, quando chega “em” casa, já recebe o bilhete do advogado exigindo os direitos das pensões alimentícias. Na antiga residência oficial dos governadores, diz a lenda, repito, a lenda, que havia (até pouco tempo) um suntuoso quarto secreto debaixo da piscina, esta que foi o maior símbolo sexual dos funcionários do quartel Banco do Brasil que era composto apenas de homens, e nem tanto, e cujos fundos da única agência central daqui tinha janelas, janelinhas e janelões voltados justamente para esse palco iluminado dos banhos de sol das lindas mulheres “top-less”(sem sutiãs) do reino de nossos governadores. Grandes amigas sapecas de ontem e que continuam lindas amigas aos cinqüenta anos e mais... E ainda sapecas! Talvez, por isso, uma determinação da ex-primeira dama, a tão querida Isabel Campos, fez meu eterno amigo governador Júlio Campos, um dos mais inteligentes homens públicos daqui, fechar e vender aquela residência. Julinho jamais se arriscou a falar um “não” a ela. Tamparam a piscina, aterraram-na e fecharam a cortina de meu Deus para aqueles biquínis fan-tás-ti-cos que embalaram a contabilidade do Banco do Brasil cujos funcionários acabaram vendendo seus binóculos sofisticados acoplados com câmeras cinematográficas. Não é mesmo, Moacir da Costa e Silva e Devanir da Silva Paixão? E havia também, um quarto secreto embaixo daquela piscina. Alguns governadores passaram por lá e nunca desconfiaram disso no decorrer do mandato inteiro. Servia para jogos e havia camas redondas para devaneios também redondos porque muitos governadores não eram de ferro. Uma entrada secreta e duas saídas, idem. Em 1969, um fusquinha velho esverdeado saia sempre de lá, por baixo do atual Palácio Alencastro, cujo motorista sozinho tinha um velho chapéu de palha enterrado na cabeça, que deixava aparecer só um bigodão. Voltava cheio de moças interessantes que sempre achei que eram da contabilidade administrativa... Nunca houve denúncias de ONGs que não existiam. Por isso a paz de antigamente. Não havia Ministério Público. As mulheres não mandavam em coisa alguma. Apenas catorze pessoas sabiam e todos os noventa poderes daqui faziam a mesma coisa. Hoje, alguns fazem e alguns não. Daí... * PAULO ZAVIASKY é jornalista [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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