A atividade econômica de Mato Grosso, baseada no modelo de desenvolvimento agropecuário, vive hoje um de seus momentos mais delicados. Não bastasse a crise da madeira e do agronegócio que assolou a nossa economia, deixando sérias seqüelas, agora é a pecuária que pede socorro. Quando falamos em pecuária, englobamos toda a cadeia produtiva, desde a criação de grandes animais (bovinos, eqüinos, suínos, caprinos, ovinos, etc) até pequenos animais (aves, coelhos, peixes, bicho-da-seda, abelhas, etc). Segundo dados do Sindifrigo (Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso) o cenário é desesperador. Os grandes frigoríficos estão fechando as plantas, as dívidas já superam R$40 milhões e 15 mil trabalhadores foram demitidos, podendo esse número chegar a 30 mil demissões. O efeito cascata é devastador. O gado necessita da ingestão diária de uma série de substâncias nutritivas básicas, cuja quantidade difere segundo a espécie, raça, idade, etc. São carboidratos, açúcares, gorduras, proteínas, vitaminas e minerais, que fornecem ao animal não apenas a matéria-prima a ser utilizada na formação de seus tecidos, mas também a energia necessária às suas diversas funções orgânicas. Os pecuaristas também estão revoltados. De acordo com o Presidente da Acrimat (Associação dos Criadores de Gado de Mato Grosso) o cuiabano Mário Candia Figueiredo, os 13 maiores frigoríficos fecharam as portas no Estado porque o Governo Federal não garantiu o capital de giro, ou seja, as plantas não conseguiram linhas de financiamentos com os bancos para honrar os compromissos que assumem com os produtores de carne. É o caso de se perguntar: onde está o dinheiro que o Governo Federal injetou nos bancos brasileiros? Aliás, bancos que sempre deram lucro, aos quais foram destinados R$45 bilhões. E para o setor produtivo, não tem dinheiro? Mais uma vez o dinheiro foi parar em outro lugar, menos para Mato Grosso. O Ministério da Agricultura poderia ter evitado o pior. Os frigoríficos começaram a sentir os primeiros sintomas em fevereiro de 2008, quando a União Européia impôs o embargo à carne brasileira. Com a crise mundial, vieram a redução na demanda e a falta de crédito para exportar. A região Centro-Oeste foi a mais atingida. E em Mato Grosso, que possui um rebanho de mais de 27 milhões de cabeças de gado o maior do Brasil houve uma freada brusca no ritmo de abate de bois. Uma coisa é certa, o setor rural brasileiro padece da falta de definição estratégica e de decisão política por parte dos governos estadual e federal. Então, qual é a saída? No mínimo, o Ministro da Agricultura, Reinhold Sthefanes, poderia promover um grande encontro com representantes do setor, incluindo toda a cadeia produtiva para discutir a causa da crise e procurar soluções conjuntas, a fim de implementá-las. Discutir, dentre outras coisas, a queda no volume das exportações, os juros elevados, a alta carga tributária, o desemprego no setor, a redução do consumo agregado, o recuo dos preços mundiais, a logística de transporte e a questão da ferrovia, que é um transporte mais barato, econômico e seguro, etc. E assim, dar a verdadeira contribuição no sentido de evitar o desmoronamento do enorme patrimônio que o Brasil conquistou. Mato Grosso merece mais respeito das autoridades governamentais. A pecuária sempre foi um dos grandes pilares que sustentaram a economia mato-grossense por muitos anos e por isso não pode morrer. Sempre foi um gado de melhor qualidade porque, trata-se de uma pecuária tradicional de tipo extensivo, que demanda grandes áreas destinadas à pastagem, onde os animais vagam livremente. A pecuária mato-grossense merece respeito porque os produtores rurais acreditaram em nosso País, investindo em tecnologia, em sistemas de racionalização da produção, em informatização, com o objetivo de obter alto rendimento. Enfim, a pecuária merece respeito porque, acima de tudo, é movida pelo espírito empreendedor do nosso povo que luta para continuar fazendo do Brasil um dos países mais produtivos do mundo. * VICENTE VUOLO é economista, ex-vereador em Cuiabá e assessor parlamentar do Senado Federal
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