Não tenho medo dos políticos corruptos do nosso país, tenho medo do silêncio dos homens dignos do nosso país O pêndulo do governo Lula balança entre a corrupção e a anarquia. Os políticos brasileiros, com raras exceções, estão afogando na democracia, fazendo política de terra arrasada, não está ficando pedra sobre pedra. A desmoralização é geral. É uma pena que a linha dura das Forças Armadas conseguiu destruir a última esperança que o brasileiro tinha para colocar as coisas no lugar quando o país caminhava para o abismo. Hoje, infelizmente, nós não podemos mais recorrer às Forças Armadas, ficamos sem pai e sem mãe, entregues a mais completa baderna. Os militares, contrariando a posição do presidente Castelo Branco, não souberam a hora de devolver o poder e desgastaram-se de tal forma que perderam a condição de fiadores da ordem. Os políticos brasileiros, sabendo que nada acontece, perderam a noção de limites; nem procuram mais disfarçar. As instituições vão desabando num verdadeiro efeito dominó. As Forças Armadas, infelizmente, saíram tão desgastadas após vinte anos de poder civil que perderam o que sempre tiveram que era o apoio da população para botar as coisas em seus devidos lugares. A Polícia Federal, contaminada por elementos que extrapolam os limites éticos de uma corporação, caiu na vala comum. O Ministério Público ainda é a trincheira da moralidade em alguns estados, mas não é regra geral. Em minha opinião, o grande erro da revolução foi enxergar fantasmas, preocupando demasiadamente com o comunismo e não ter combatido como deveria a corrupção. Perdemos uma grande oportunidade de, pelo menos parcialmente, erradicar esse câncer que corrói as entranhas da nação, responsável pela miséria e sofrimento da maioria da população. Mas o que mais assusta é a omissão das pessoas sérias que aderiram à filosofia de que não tem mais jeito e lavam as mãos. Não há que se acreditar que Jarbas Vasconcelos seja o único senador honesto, a se crer nisso será o apocalipse. No entanto, senadores respeitáveis como, por exemplo, Marco Maciel, se calaram. A manifestação do senador Pedro Simon foi muito tímida. O Senado Federal já foi considerado uma casa de respeito, no entanto José Sarney não foi eleito presidente só com o voto seu. Senadores já foram considerados os pais da pátria, hoje são a vergonha da pátria. O que me entristece no presidente Lula é que ele nunca deu um passo para combater a corrupção. Sem falar na baderna, na anarquia que ele até incentiva. Proprietários rurais não têm paz para trabalhar e produzir, quem sai de viagem, além de enfrentar os buracos das rodovias ainda não sabe se chega. Um dia, são os sem terra que obstruem as estradas, outro dia são os com muita terra e muita dívida no Banco do Brasil, outro dia são os índios. Agora surgiram os sem salários. A usina de Jaciara atrasou salários dos empregados e, em vez de ir ao Ministério do Trabalho resolveram impedir o trânsito na rodovia. Centenas de carretas, dezenas de ônibus, utilitários e carros de passeio impedidos de seguir viagem. Nessa hora some a Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil e Militar. Esse tipo de baderna foi que originou a ascensão de Hitler, Mussolini e Stalin. A anarquia é a pior inimiga da democracia. Por muito menos Jango caiu. O Brasil de Lula está se transformando numa Casa de Irene. * PEDRO LIMA é analista político e advogado
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