ARTIGO
Sábado, 15 de Agosto de 2009, 13h:04
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MÁRIO M. DE ALMEIDA
À moda da casa
A política brasileira, historicamente, é marcada pelos acordões, principalmente no âmbito do Congresso Nacional onde surge essa que nada mais é do que uma solução amigável entre as partes em confronto. Costuma ocorrer sempre que a corda estica demais e está prestes e se romper. Aliás, esse pacto entre elites faz parte do famoso jeitinho brasileiro que se multiplica em uma infinidade de versões e tem várias aplicações, quando se trata de acomodar as coisas na base do deixa como está para ver como é que fica. No Senado da República, por exemplo, quando todo mundo achava que haveria realmente uma ruptura dessas que separam o joio do trigo, eis que o acordão entra em campo. E aparece em cena com seus principais protagonistas e beneficiários do acerto negando que exista o conchavo. Obviamente que a negativa faz parte dessa costura política feita intramuros. Que ninguém é besta de afirmar que para livrar a própria cara, muitas vezes é preciso livrar também a do adversário. São os supostos extremos, oposição versus situação, se aliando para o bem comum e geral... lá deles. E o resultado já está visível no fato de que, entre mortos e feridos da acirrada contenda senatorial, salvam-se os dois principais oponentes: Sarney e Arthur Virgílio, que encarnam, cada qual à sua maneira e estilo, a luta de grupos hoje antagônicos (e outrora aliados) na eterna disputa pelo poder, com um porém: desde que o rescaldo da briga não ameace sobrar para os dois lados. José Sarney, podem apostar, vai ficar no cargo de presidente do Senado, bom e matreiro governista que é. Enquanto Virgílio segue senador, sem correr o risco de perder o mandato. Bom tribuno, ele tem todo o direito ao jus sperneandi, mas, doravante, deve maneirar nos ataques e catilinárias contra o seu desafeto político e partidário. O veterano cacique maranhense, que há muitos anos se aboleta em cargos chaves na estrutura mais alta do poder da República, reinando de forma fisiológica, parecia estar bem perto de ser defenestrado da presidência do Senado. Parecia, é o termo certo, porque, pelo jeito e pelo acordão em curso, vai continuar presidindo a Mesa Diretora da mais alta instância legislativa do país. Não mexe comigo, viu, que eu não mexo com você! Infelizmente, esse parece ser o rumo que, no Brasil, se dá às divergências que precisam ser aprofundadas, mas não vão além das retóricas inflamadas. E nas quais, geralmente, se observa palavreado de baixíssimo calão, como o proferido na recente troca de insultos entre os também senadores Renan Calheiros (PMDB) e Tasso Jeiressati (PSDB). Onde quem atira pedra no vizinho tem telhado de vidro, obviamente não resiste à menor estilingada. Mas, o pior papel em toda essa pantomina coube ao PT, através do seu líder no Senado, Aloísio Mercadante, que sem o menor pudor joga para a platéia, ao dizer que defende o afastamento de Sarney da presidência da casa, enquanto os três senadores petistas que integram o Conselho de Ética, obedecendo ordens de Lula, são sarneysistas desde criancinha... Mercadante faz direitinho o manjado jogo do morde e assopra. Uma vergonha!, parodiando o costumeiramente apopléxico apresentador de TV. * MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA é diretor do site e jornal Página Única