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Cuiabá MT, Quarta-feira, 10 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 24 de Julho de 2010, 12h:20

MÁRIO MARQUES DE ALMEIDA

A força do PMDB

Nascido nos Estados Unidos com pretensões filosóficas, pelos idos de mil novecentos e “caqueradas”, ou seja, no século 19, o Pragmatismo, segundo meu modesto entender (e de gente mais entendida do que eu na matéria), não chega a ser uma Filosofia na acepção da palavra. Mas, sim, uma forma para se compreender o efeito prático dos acontecimentos sobre nossas vidas. Não se aprofunda em questões éticas ou morais, nos conceitos do bem ou do mal, apenas se atém aos resultados. Se estes são bons ou ruins para o objetivo que se quer atingir. E isso vale tanto para as pessoas como para as instituições. E o pragmatismo nasceu e cresceu na América não por acaso, mas porque reflete em muitos aspectos o modo de ser do povo e governantes norte-americanos na obsessão por resultados materiais. O famoso “sonho americano” não é uma poesia, mas espelha a concepção de que qualidade de vida implica em alto padrão de consumo. Também não é um ideal de liberdade e democracia, como muitos apregoam, o que pode ser comprovado pelo fato de que os EUA já sustentaram, em passado não muito distante, ditaduras em várias partes do mundo. Desde que esses regimes despóticos atendessem, é claro, às conveniências políticas e interesses econômicos e financeiros da maior potência bélica e industrial do planeta. Isto é que é pragmatismo! Pode ser perverso, e é, porém trata-se de uma descrição prática e objetiva do real significado do termo. Também não é por caso que o pragmatismo – uma teoria relativamente nova no nosso país – foi incorporado aos discursos políticos, passou a fazer parte das metas e estratégias de conquistas do poder, e com bons resultados eleitorais e, conseqüentemente, efeitos práticos. Veja o caso do PMDB que é, por um outro viés, um partido essencialmente pragmático. Além de ser o maior partido brasileiro em número de vereadores, prefeitos, e dono das maiores bancadas na Câmara Federal e no Senado da República (segundo projeções abalizadas, nestas eleições deverá manter e até aumentar essa hegemonia no Congresso). Grande na base, com sua vasta capilaridade municipal e forte na cúpula, através dos legislativos. É presidencialista nos seus estatutos e programas, mas, via de regra, chega ao poder por um “parlamentarismo” bem peculiar, à moda peemedebista. Isso também é pragmatismo! Porém, tem o seu lado positivo por ser talvez o mais democrático dos partidos brasileiros. Até porque surgiu na história cívica como espécie de abrigo seguro para políticos e militantes das mais variadas tendências ideológicas e que tinham em comum o fato de se opor à ditadura militar, instaurada pelo golpe de 64. Foi forjado nessa resistência e no espírito de conviver com divergências internas, o que é uma característica até hoje do partido e, possivelmente, a razão do seu poderio, por saber conciliar grupos diferentes. E não é apenas uma força de expressão se dizer que ninguém governa sem o PMDB, e não governa mesmo!, independentemente de quem estiver à frente do poder executivo em milhares de prefeituras, alguns governos estaduais e, principalmente, na Presidência da República. Se era antes FHC ou se é Lula agora; amanhã, se for Dilma, Serra ou Marina... Virou uma instituição indispensável à governabilidade e chegou a esse estágio pela força do voto, nas disputas eleitorais e não por vias golpistas ou anti-democráticas. Goste-se ou não do partido e de seus métodos, há que reconhecer que o povo brasileiro, através de grandes parcelas de eleitores, entende e aceita o papel histórico do PMDB e continua votando e assegurando maioria ao partido no Congresso Nacional. Dando um claro sinal que quer ver essa legenda, uma força pendular e de centro no espectro ideológico brasileiro, como fiel da balança do poder. Quer seja - dependendo de quem estiver no comando do leme da nação a partir do ano que vem - para frear, de um lado, exageros neoliberalistas ou, por outro, recaídas ditatoriais que sugerem e estimulam atentados às liberdades tão caras, como, por exemplo, a de expressão. Que se traduz pelo direito que eu tenho de escrever o que penso e você, leitor, de ler, aprovar ou desaprovar. Até a próxima! Mário Marques de Almeida é diretor do site e jornal Página Única. E-mail: [email protected]

Edição EDIÇÃO 16959




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