RARIKAN H. DA S. DUTRA
Vivemos num cenário de mudanças no sistema educacional. A pauta dessas mudanças em curso tem como objetivo ampliar e democratizar o acesso ao ensino superior, abrindo oportunidades para os segmentos historicamente excluídos da formação universitária no Brasil. No tocante ao acesso, está em fase de implementação um sistema nacional de avaliação baseado no ENEM Exame Nacional do Ensino Médio como processo seletivo nas Universidades Federais, extinguindo o modelo atual de vestibular . O novo modelo traz como beneficio a ampliação do acesso ao exame que no antigo sistema dificultava a participação dos alunos mato-grossenses. No modelo passado apenas 5 cidades do estado aplicavam a avaliação, com o Enem mais de 60 cidades aplicarão a avaliação, democratizando o ingresso dos estudantes mato-grossenses a UFMT. Vem ocorrendo recentemente à implementação do Reuni Plano de reestruturação e expansão das Universidades Federais que traz uma serie de avanços: aumento dos investimentos, aumento do número de vagas e a contratação de professores e técnicos administrativos. Casado com essa melhoria houve a criação do plano nacional de assistência estudantil, para a demanda dos estudantes de baixa renda que entrarão nessas novas vagas. Nesse processo nacional, ocorrem também ações em âmbito do Mato Grosso como é o caso do Proind Programa de Inclusão Indígena que tem funcionado como um modelo na UFMT, garantindo o acesso a um setor da sociedade historicamente excluído. Em todo esse processo, vários segmentos dos Movimentos Sociais, liderados pelo movimento estudantil secundarista, tem se colocado como protagonistas, fazendo analises críticas coerentes e propondo mudanças e soluções concretas para a melhoria da educação brasileira. O ponto fundamental é mudar a educação para ajudar a mudar o Brasil. Porém, em meio a essas mudanças aparecem setores da sociedade contrários. Isso é normal ocorrer em qualquer processo de mudança, porém o discurso de certos setores é o que assusta. Eles dizem que defendem a educação pública, falam que são progressistas, socialistas, liberais democráticos, mas na realidade são conservadores contrários a ampliação das vagas, ao aumento de investimentos nas universidades publicas, ao plano nacional de assistência estudantil e ao acesso do estudante das camadas trabalhadoras a universidade, sendo os reacionários da história. Essa situação fica clara no atual debate sobre o ENEM. Esse grupo que se mostram contrários ao novo modelo está aliado com os donos de cursinhos, com a rede de ensino privado. Isso demonstra bem o que eles defendem: o fim do diálogo, e a continuidade de um sistema de educação excludente, do qual eles são o mais fino fruto. É preciso desmascarar esses setores e demonstrar em defesa de que pra quem realmente eles estão lutando. Eles dizem que são favoráveis ao ensino público, mas se opõem a reserva de vagas de 50% da Escola Pública para a Universidade Pública. Eles são contrários a qualquer mudança, defendem a atual ordem, por isso são reacionários, reagem contra as mudanças que beneficiam a nossa juventude. Por tudo isso, vamos abrir o olho juventude, desmascarar os reacionários e continuar lutando pra mudar a cara da educação brasileira e defender uma educação pública, gratuita e de qualidade. * RARIKAN HEVEN DA SILVA DUTRA, presidente da Ame (Associação Mato-grossense dos Estudantes Secundaristas), diretor da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), membro do Conselho Estadual de Educação representando os estudantes da educação básica
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