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Cuiabá MT, Quinta-feira, 18 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 22 de Setembro de 2012, 14h:41

ROMILDO GONÇALVES

A estiagem, o poder público e a justificativa

Todo ano é a mesma coisa, acontece no mundo inteiro: inverno-verão= chuvas-estiagem. Nada disso é mais novidade para ninguém, não é mesmo? Desde que o mundo é mundo e desde que o ser humano começou a habitar a Terra, esse processo se repete. Ou será que não? Bem, aí depende! Aqui em Mato Grosso e em especial Cuiabá parece que os gestores públicos ainda não entenderem essa lógica da vida, ou seja, de como os ciclos ocorrem e como os fenômenos da natureza se processam. Aqui na terra de Rondon chega o período das chuvas e as comunidades ribeirinhas entram em pânico com córregos, rios e ribeirões bufando de águas sujas, contaminadas, aterrorizando todo mundo. Quando chega o período da estiagem a população entra em parafuso com tanta fumaça e fogo nas ruas, nas avenidas e em lotes baldios espalhando chamas e labaredas para todos os lados. Hospitais, clínicas e centros de saúde abarrotados com gente doente, com gripe, febre, dengue, hanseníase, furúnculo, tuberculose, o escambau a quatro, uma verdadeira hecatombe... E os gestores públicos? Há os gestores públicos! É evidente que nesse período também pipocam especialistas de todo jeito, gente sem a menor noção do que falam, expondo ideias estapafúrdias sobre como evitar o inevitável para aquele momento. Gestoras educacionais sentadas em salas confortáveis com ar- condicionado ligados no último, orientando alunos via TV, sobre como se comportarem em “fornos” chamados de sala de aulas, dizendo com toda suavidade que a didática exige. Usem roupas leves, chupem picolés, comam comidas suaves, peito de frango grelhados..., bebam bastante água, em suas casas, evidentemente, porque no colégio faz três anos que a torneira quebrou e ainda não tivemos tempo de fazer novas licitações...são um bom exemplo desses disparates. Nas questões do controle do lixo, entulhos e poluentes que grassam no Estado e cidades a situação não é diferente, contribuindo sobremaneira com o agravamento da saúde pública nos diversos ambientes e locais, E os gestores? Há os gestores? Todos, de mamando a caducando nas mais diferentes instâncias de governos, ainda não conseguiram mirar com exatidão o agravamento da questão, com tendência a piorar. Se em 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011 foi assim, 2012 está sendo assim, será que em 2013, 2014...também vai ser igual? Bem, vejo que chegou a hora da sociedade agir tomando uma posição contra esse estado de coisa, contra esse desleixo público, exigindo dos gestores a reversão desse quadro catastrófico, que se repete anualmente. Vê-se nessa geleia geral a inadmissível falta de responsabilização do poder público com deveres fundamentais à vida. Ou será que não? *ROMILDO GONÇALVES é biólogo, mestre em Educação e Meio Ambiente, perito ambiental em Fogo Florestal e prof.-pesquisador da UFMT/Seduc [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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