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ARTIGO
Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2014, 20h:59

RODIVALDO RIBEIRO

A dura vida velha

Além de ter que lidar diariamente com as dores espalhadas pelo corpo, trazidas pelo longo tempo de uso, os mais velhos são obrigados a enfrentar também uma miríade de hostilidade quando o assunto é lazer, convívio social ou mesmo um simples passeio. Há desrespeito de todo tipo –– falta de local pra estacionar, inacessibilidade nas vias públicas, impaciência de motoristas (para os que têm carro) e pedestres, no transporte coletivo (irritados com a lentidão característica de idades avançadas). Dados do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Idosa (Cedpi-MT) denotam que os habitantes com idade acima dos 60 anos representam 7,3% da população mato-grossense, ou seja, são 221.560 idosos entre os mais de três milhões de habitantes detectados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/2010) em seu último censo. Somos, portanto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), um Estado velho, pois o índice para que ainda fôssemos considerados jovens tem de estar acima dos 10%. Hoje, esse número mal chega aos 6,5%; mas não é o que se vê em teatros, cinemas, shows ou mesmo bares e restaurantes. Nesses locais, é visível a ditadura da juventude, com suas urgências e exigências. Há outro abismo para os mais velhos, além do descompasso com um mundo sempre sedento por juventude: os quase 20 anos entre a idade média de aposentadoria (55 anos) e a nova expectativa de vida (73 anos). E ano a ano, mais e mais pessoas têm que se ver às voltas com a equação mais vida vezes tempo livre de sobra. De acordo com o último Censo do IBGE, a parcela da população de 60 anos ou mais estava em uma proporção de 5% em 1991 e chegou a 7,8% em 2010. Alguns serviços –– nenhum ainda disponível aqui em Mato Grosso, infelizmente ––, como faculdades da terceira idade, bibliotecas, teatros, bares e restaurantes que os priorizam estão se tornando fundamentais para manter a saúde física e psicológica deles. Ironicamente, é em ferramentas desenvolvidas só quando a maioria já tinha passado dos 50 anos, que muitos encontram divertimento, fazem compras e até mesmo conseguem companheiro(a)s para namorar –– as redes sociais da internet. E diversos psicólogos louvam, na própria web, as mesmas redes sociais como bom meio de ajuda para os idosos manterem a mente ativa, numa nova versão do bem velho conselho sobre “aprender coisas novas” para exercitar o cérebro e mantê-lo forte, saudável e, não dá pra mentir, jovem. Há que se considerar também um dos lados positivos da internet para a faixa etária: a comodidade de se poder escolher e comprar tudo online. Os velhos estão gastando, via mouse, cartão de crédito ou boleto bancário, como nunca. De acordo com o E-bit, principal site de e-commerce da web, o aumento nas compras realizadas por pessoas com mais de 60 anos aumentou por volta dos 10,5% em 2012. Em tempo: a Lei Federal nº 8.842194 “dispõe sobre a Política Nacional do Idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso e dá outras providências”. Alguns dos seus artigos versam sobre “80) Garantir o atendimento prioritário às pessoas idosas nas repartições e órgãos públicos municipais; 81) Conceder o passe Livre e preferência de acesso e embarque dos idosos no transporte público municipal; 82) Formular adaptações urbanísticas a fim de facilitar a locomoção dos idosos na cidade”. Ou seja –– escrito está e é lei. O que falta agora é interesse em vê-la ser cumprida, para que eles parem de apenar sonhar em ver tudo isso posto em prática. RODIVALDO RIBEIRO é jornalista em Cuiabá

Edição EDIÇÃO 16968




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