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ARTIGO
Terça-feira, 24 de Março de 2009, 20h:54

ONOFRE RIBEIRO

A Copa pode ser nossa (1)

Assisti ontem à tarde à reunião do Fórum Estadual de Turismo de Mato Grosso, quando se realizou um “Painel sobre a Copa do Mundo”, coordenado pelo economista Agripino Bonilha Filho, um entusiasta e motivador do evento. Tive a oportunidade de ser um dos debatedores, junto com o prefeito de Cuiabá, Wilson Santos, o empresário e ecologista André Tourony. O secretário de estadual de Turismo, Yuri Bastos, apresentou uma breve palestra em torno dos cenários da sub-sede da Copa de 2014 em Cuiabá. Antes dos dados, interessantíssimos, gostaria de registrar algumas colocações postas durante o debate. Pessoalmente, defendi ampla mobilização da sociedade de Cuiabá e do estado a fim de que ela, motivada, motive a decisão da Fifa. O prefeito Wilson Santos disse que Cuiabá teve três eventos marcantes na sua história: a fundação da cidade no ciclo do ouro em 1719, a transferência da capital de Vila Bela, em 1835, e a construção de Brasília, em 1960. A escolha como sub-sede seria o quarto grande evento. André Tourony esteve na África do Sul há dois anos e voltou recentemente. Viu um país estraçalhado, violento e sem rumo, e o reviu depois da escolha para sediar a Copa do Mundo de 2010. “A Copa é antes de tudo transformadora”, acredita ele. O país se transformou e será outro depois de 2010. Cuiabá e Mato Grosso também serão outros depois do evento. Mas criticou severamente a desmobilização da população, sob o argumento de que as pessoas não conhecem as belezas naturais e nem o potencial de turismo do entorno de Cuiabá, pantanal, Nobres, Chapada, Jaciara, Juscimeira, por exemplo. E cita: “Quem não conhece, não pode amar. Quem não ama não empolga. E só ama quem conhece”. Também ele acredita que é preciso entusiasmar a população de Cuiabá e de Várzea Grande com o seu quase 1 milhão de habitantes. A propósito, vale citar o potencial de turismo enumerado pelo prefeito de Cuiabá, que também defende a descentralização da organização do evento e a promoção de um calendário de eventos para viabilizá-lo até o fim de maio quando a Fifa deverá anunciar as cidades escolhidas para sub-sede: pantanais (Barão de Melgaço, Poconé ou Cáceres), Chapada dos Guimarães, águas quentes da Serra de São Vicente, de Juscimeira, as cachoeiras e corredeiras de Jaciara, Nobres, o Araguaia e a Amazônia, a cerca de 400 km, somadas à hospitalidade, à gastronomia, e à cultura cuiabanas. Outro conceito muito interessante levantado durante o debate foi o de que na decisão da Fifa, pesará muito o querer. “É importante querer”, disse Bonilha. O secretário de Turismo, Yuri Bastos, começou a mobilização política nesta semana. Reuniu-se com a Câmara de Vereadores de Cuiabá, com a bancada parlamentar federal do estado e ontem à tarde com os deputados estaduais. Ele acredita que a mobilização política também poderá ser um fator que pode pesar na construção da decisão da Fifa. No artigo de amanhã, pretendo mostrar os dados apresentados pelo secretário Yuri Bastos, em relação aos cenários e aos projetos que serão desenvolvidos para Cuiabá sediar jogos da Copa de 2014. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM [email protected]

Edição EDIÇÃO 16964




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