ARTIGO
Quinta-feira, 27 de Junho de 2013, 20h:15
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MARIO EUGENIO SATURNO
A Bastilha Brasileira
Chamar de Bastilha o que está acontecendo no Brasil nestas últimas semanas é um exagero enorme, mas não é tanto quanto falar em "primavera brasileira", ou revolução, ou o gigante acordou, etc. As tais "primaveras árabes" estão acontecendo em países ditatoriais e fechados, nenhuma semelhança com nosso sistema que é muito democrático. Embora com problemas, como estamos testemunhando. Mas temos algumas semelhanças com a França do século XVIII, a classe política estava alheia ao "povo" tal qual a realeza, os jornalistas tiveram papel fundamental na disseminação das ideias, como Camille Desmoulins, e a tropa de choque que atacou indiscriminadamente, igualzinho aos soldados da Bastilha, que provocou uma valentia inimaginável no povo. O primeiro "protesto" que vi na minha vida foi o movimento pela "Anistia, Ampla, Geral e Irrestrita", em 1979. Luta pouco lembrada pelos brasileiros atuais, talvez porque os atores do Brasil atual estavam fora do país, exilados. Depois veio o movimento das "Diretas Já" que fracassou. E então, o impedimento do presidente Collor. Nestas manifestações atuais, algo inédito no mundo, o movimento nasceu espontâneo, alimentado pelo Facebook. A influência da internet não é "insight", é fato comprovado pela pesquisa do IBOPE junto aos manifestantes. A pesquisa mostrou que aquela rede social mobilizou 85% dos manifestantes. Essas manifestações também surpreenderam políticos e marqueteiros. Ninguém previu, nem viu o que estava acontecendo. Quando perceberam, os manifestantes se contavam em dezenas de milhares nas cidades. Tanto foi assim que tivemos que assistir o ministro da Justiça vir oferecer ajuda a São Paulo, pelos jornais, e até o prefeito Hadad criticou a agressividade da Polícia Militar paulista, está certo que logo em seguida ele sofria na pele a depredação da prefeitura. E seguindo a onda, Brasília explodiu com a presidente Dilma no centro do picadeiro sendo vaiada na estreia da Copa e, em seguida, nas manifestações de rua. Na segunda-feira, 17 de junho, o governador Alckmin proibiu a PM de usar balas de borracha e de entrar em conflito. Tirando o conflito na prefeitura, no Estado de São Paulo foi tranquilo, mas no resto do país... No Rio de Janeiro, exemplo segundo o ministro da Justiça, a PM deu até tiros de metralhadora para espantar os manifestantes. Tiros também foram dados pela Polícia Rodoviária Fedral em São José dos Campos... é federal senhor ministro da Justiça. Mas o que dizer da Polícia? Erros graves. Ainda não sabem o que fazer. Em São Paulo, por três manifestos reprimiram pouco os anarquistas e no quarto reprimiu duramente todo mundo. Na sequencia, apenas assistiram depredações sem nada fazer. Tudo errado. Tudo anárquico. Primeiro, quem porta coquetel molotov, máscara, pedras, porrete, bombas e congêneres é criminoso. E bandido tem que ser capturado, senão ele continua a agir. Troquem as bombas de gás por "teaser", a arma de choque, derrubem e prendam. Alô PM! Chega de rodovias ocupadas! Chega de saques! Basta de ônibus queimados! *MARIO EUGENIO SATURNO é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) cienciacuriosa.blog.com