Em duas semanas, vi uma evolução incrível no meu filho. Achava, erroneamente, que o desenvolvimento de uma criança seria semestral ou anual. Mas em poucos dias, aos meus olhos, ele teve um progresso espantoso. Caminha corretamente com alguns tropeços, o que adulto também faz -, pronuncia as palavras muito bem, já tem um raciocínio lógico e, acima de tudo, sabe o que quer. Acredito que essa evolução aconteceu devido aos diversos contatos que ele teve com pessoas que não estão em seu cotidiano. No Mato Grosso do Sul, onde moram meus pais e avó, conversou com parentes e amigos da família, brincou em uma terra a que não está acostumado e viajou muito de carro, vendo locais diferentes, ainda que de forma rápida. Ano passado, Luis Felipe também esteve no Estado vizinho. Mas tinha menos de um ano. Nesta última passagem, a alguns meses para completar dois, sua cabeça mudou, transformando também o seu entendimento sobre o meio. Cença (licença), brigado (obrigado), pimo (primo), entre outras palavras fazem parte do seu curto mas crescente vocabulário. Há duas semanas, nada disso fazia parte do seu cotidiano. Devido a esse aprendizado rápido, precisei me policiar. Palavras que dizia, principalmente neste excelente trânsito de Cuiabá, não devo mais citar. Outro dia mandei um babaca próximo a uma rotatória e, quase que instantaneamente, ouvi um aca no banco de trás. No domingo passado, um esperto motorizado parou no meio da Estrada do Moinho e soltei um droga, ouvi um doga. Apesar de, hoje, ele não saber o que significam essas palavras, não esperarei que entenda para deixar de pronunciá-las. Ainda estou espantado com sua inteligência e, sinceramente, não muito preparado para isso. Vamos ter que aprender juntos. Será divertido. FERNANDO DUARTE é editor de Política do Diário
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