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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

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Sábado, 02 de Outubro de 2010, 19h:23

PERFIL

Wilson Santos é o diferencial político

O tucano deu sobrevida à oposição quando foi eleito prefeito de Cuiabá na eleição de 2004 e no pleito seguinte conseguiu a reeleição

EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Política não se faz sem políticos na acepção da palavra e nenhum outro título define tão bem o tucano Wilson Santos quanto o de político. Seu médico particular sustenta por Hipócrates que em suas veias correm votos ao invés de sangue. Certamente ninguém nunca o questionou sobre isso, mas se o fizer a resposta estará na ponta da língua e a seu favor, “claro que sim e essa votação é ‘pra’ mim”. Resultado de eleição revela frieza de números e nem de longe traduz o calor humano da disputa eleitoral, que é onde o político se realiza. Wilson Pereira dos Santos, 49, paulista de Dracena, casado com a arquiteta cuiabana Adriana Bussiki, tem três filhos e coleciona uma série de realizações ao longo de sua trajetória sobre palanques. O ‘dois’ é cabalístico para Wilson Santos: duas vezes foi vereador por Cuiabá, foi deputado estadual em duas legislaturas consecutivas e de igual modo, deputado federal. Como se essa coincidência não bastasse, elegeu-se prefeito de Cuiabá e quatro anos depois manteve-se no cargo, sempre disputando eleição em dois turnos. Mas, afinal, quem é esse colecionador de mandatos, que disputa o Palácio Paiaguás? Dizer que Wilson Santos é professor, advogado e gerente de cidades não define seu currículo, porque na verdade ele é político, hábil orador e mestre nas costuras de bastidores. Porém, no passado não era bem assim. Tanto não era que seu apelido nos anos 1980 era Galinho, porque seus rompantes não encontrariam melhor definição do que essa. O tempo é mestre da vida e ensina tudo, inclusive a mudar temperamento; o Galinho, quer dizer, Wilson Santos, foi bom aluno. Na escola política aprendeu a engolir sapos, a não demonstrar dor quando recebe golpes. Se o adversário o ataca, responde com perdão. Ao acertar, não tripudia. Ao errar, desconversa. Assim é Wilson Santos, cuiabano por opção e paixão, que desde menino abraçou a cidade que o acolheu, a ponto de se fundir e se confundir com ela. O político de Mato Grosso – com as exceções de praxe - tinha tradição de adesismo. Tanto assim, que em 2002, quando Blairo Maggi ganhou o governo, o PSDB entrou na bancarrota e seus deputados estaduais, à exceção de Carlão Nascimento, passaram a compor a base governista na Assembleia. A oposição esteve a um passo da extinção, que não se consumou porque Wilson Santos conquistou a prefeitura de Cuiabá em 2004 dando novo sopro de vida ao que restava do ninho tucano. Wilson Santos administrou Cuiabá por mais de cinco anos, fazendo oposição do governo. Nunca radicalizou, jamais se curvou, soube divergir politicamente, serviu de espelho e foi modelo de resistência. O eleitor mato-grossense julgará o currículo político, parlamentar e administrativo de Wilson Santos. Se sua candidatura ao governo chega ou não ao segundo turno, é incógnita nesse pleito que quebra tabu e foge da tradicional polarização. Mato Grosso continental ficou pequeno para as andanças de Wilson Santos, que foi a todas as cidades. Em cada lugar onde esteve fez discurso diferenciado, mas mantendo o tom de sua meta administrativa para o próximo quadriênio. Seu eleitorado será eclético e dentre ele muitos que se entusiasmaram ao ouvi-lo, porque sua capacidade de síntese é fantástica, sua memória, privilegiada, e seu poder de adaptar fatos do ontem ao seu mundo é o quê do seu diferencial.

Edição EDIÇÃO 16961




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