Primeira Página
Terça-feira, 18 de Novembro de 2014, 21h:29
A
A
OPERAÇÃO CAMALEÃO
Walace Guimarães é alvo do Gaeco
Foram cumpridos 11 mandatos de busca e apreensão em Várzea Grande para desarticular um esquema de corrupção através de fraude em licitações
ALLINE MARQUES
Da Reportagem
A prefeitura de Várzea Grande, servidores, parentes do prefeito Walace Guimarães (PMDB) e a empresa Carneiro Carvalho Construtora foram alvo da operação Camaleão, deflagrada ontem (18) pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) e Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público Estadual. A investigação tem como foco a apuração de organização criminosa criada para a prática de delitos de corrupção, peculato e fraude a licitação. Onze mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Cidade Industrial tendo como alvo o gabinete do prefeito municipal, cinco secretarias municipais e empresas que prestam serviços para o município e residências, dentre elas a do irmão do prefeito, Josias Santana Guimarães, que acabou sendo preso por posse ilegal de 10 armas. O contrato com a construtora, suspeita de ser apenas uma empresa de fachada, chegou a ser barrado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e um dia antes da Operação o MPE chamou o prefeito para prestar esclarecimento sobre o processo licitatório. Walace compareceu à sede do órgão na segunda-feira, mas disse desconhecer sobre a Operação. Em setembro deste ano, após determinação do TCE, o bloqueio de repasse foi cumprido pela prefeitura, mas a empresa já havia recebido R$ 4 milhões para fazer os trabalhos de tapa-buracos e pavimentação. De acordo com o contrato realizado com entre a administração municipal e a empresa, os serviços prestados deveriam ser de manutenção de obras civis, hidráulicas, de rede elétrica e serviço de manutenção e readequação viária, em obras como drenagens, canteiros, rotatórias e praças. Dentre as obras estão a do canteiro da Avenida 31 de Março e também de recapeamento na Avenida Ulisses Pompeu de Campos, que chegou a ser executado. De acordo com informações da assessoria do Ministério Público Estadual (MPE), as apreensões visam à obtenção de provas para subsidiar as investigações. A operação Camaleão contou com o envolvimento de cerca de 50 servidores e o trabalho é coordenado pelo Gaeco. As secretarias de Assistência Social, Infraestrutrura e Administração e a Procuradoria e a Comissão de Licitação da prefeitura foram os alvos dos agentes do Gaeco. A quadrilha teria fraudado licitações para lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada que seriam de propriedade de supostos laranjas aliados do prefeito. A investigação teve início após denúncia anônima feita ao MPE e o que chamou atenção é que a empresa Carneiro Carvalho Construtora, responsável por diversas obras no município, era uma sapataria até pouco mais de um mês antes do início do processo licitatório para execução de obras em Várzea Grande de diversas modalidades, como reformas de escolas, pavimentação, canteiros de avenidas e outras. Durante o certame, uma empresa concorrente chegou a contestar o certificado emitido pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-MT) apresentado pela construtora, mas apesar de interromper o processo o órgão teria atestado a validade do documento e a Carneiro Carvalho saiu vencedora de um contrato de quase R$ 10 milhões com a prefeitura de Várzea Grande. No entanto, até o momento, conforme informou o prefeito, foram pagos pouco mais de R$ 4 milhões, pois os pagamentos seriam feitos somente mediante da comprovação da execução da obra.