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Primeira Página
Quinta-feira, 08 de Setembro de 2011, 21h:08

NOVO SANTO ANTONIO

Viúva de prefeito teme pelos filhos

FERNANDO DUARTE
Da Reportagem
A família do prefeito assassinado de Novo Santo Antônio (1.063 quilômetros de Cuiabá), Valdemir Antônio da Silva (PMDB), o “Quatro Olho”, sairá do município em breve. Mais de 40 dias após a morte do marido, Raimunda dos Anjos Noleto Silva, 33, teme pelas vidas dos filhos e a dela própria. “Era para matar todos que estivessem na casa, queima de arquivo mesmo”. Até o momento, o suposto mandante ainda não foi preso. Na presença das duas filhas, de 8 e 11 anos, Raimunda conta que a família ainda está abalada e que os filhos mais velhos (de 13 e 16 anos) estão com depressão. “Eles [assassinos] entraram na casa. Meu marido saiu do quarto, estava tomando banho. Eles estavam escondidos atrás da parede. Meu marido saiu da cozinha, virou para fechar a porta e atiraram nele, bem no peito. Na hora que o pai saiu, meu filho [de 13 anos] correu para trás do som. Ele tentou correr [para junto de Valdemir], mas o pai dele colocou o braço para meu filho não sair [de onde estava]”. Raimunda chegou em torno de 30 minutos depois do crime. Então secretária de Promoção Social do município, ele retornava de uma viagem a Cuiabá. Novo Santo Antônio tinha conseguido do governo do Estado recurso para a construção de 31 casas populares e Raimunda foi assinar o convênio. “Na vinda, quando estava chegando perto da cidade, a ambulância veio ao encontro da gente. O pessoal falou para eu entrar na nela, sem falar o que tinha acontecido. Chegamos lá, ele [Valdemir] já estava no posto de saúde, morto”. Segundo ela, não é “novidade” quem é o autor do assassinato. Um homem já havia recebido dinheiro para matar o marido, mas que recusou cometer o crime. “Depois disso, meu marido ficou preocupado, mas não ao ponto de achar que iriam fazer um negócio desses”. Ela disse que o marido tinha um revólver em casa e que estava armado na noite da morte. Raimunda conta que Quatro Olho a segurava quando foi alvejado. A viúva também reforça que os moradores do município querem que ela continue morando lá e que tenha uma carreira política, assim como o marido. Entretanto, ela rechaça essa ideia. Raimunda deu entrada para um pedido de pensão, a qual tem direito, mas ainda não recebeu nenhum recurso desde o ocorrido. O salário de secretária não tem mais, pois foi demitida do cargo pelo atual prefeito Geraldo de Freitas (PTB). “Como está todo mundo solto, as pessoas estão com medo. Se chegou a esse ponto [de assassinar o prefeito]... todos estão amedrontados na cidade”, destacou sobre a sensação de insegurança que ainda abatem os pouco mais de dois mil habitantes. Atualmente, Raimunda e sua família estão recebendo auxílio da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM). O presidente da entidade, Meraldo de Sá, critica a falta de segurança aos gestores, ainda mais depois do assassinato do prefeito de Nova Canaã do Norte (699 quilômetros de Cuiabá), Antônio Luiz César de Castro (DEM), o “Luizão”. O segundo em um período de menos de um mês.

Edição EDIÇÃO 16960




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