Primeira Página
Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010, 20h:35
A
A
TRE mantém Ivan Evangelista cassado da Câmara de Cuiabá
O juiz Jorge Luiz Tadeu, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), negou a ação cautelar interposta pela defesa do vereador Ivan Evangelista (PPS), cassado por compra de votos através de uma representação que tramitou junto ao Juízo da 55ª Zona Eleitoral. O socialista tentava impedir o cumprimento imediato da cassação com o intuito de participar da eleição da mesa diretora da Câmara de Cuiabá. Tão logo foi empossado, o suplente de Ivan Evangelista, Júlio Pinheiro (PTB), se candidatou à presidência da Casa Legislativa. Conforme denúncia encaminhada à Ouvidoria do TRE, um suposto líder comunitário, Wellington de Oliveira Santos, teria atuado na Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes Urbanos (SMTU), por 15 dias, sem remuneração e contratação oficial, ameaçando os estagiários que não declaravam voto favorável a Ivan Evangelista, então candidato a vereador em 2008. O cabo eleitoral também teria abordando os funcionários da secretaria na tentativa de convencê-los a realizar reuniões com suas famílias para apresentar o vereador. Depoimento de ex-estagiárias da SMTU confirmaram as denúncias. Uma delas relatou que, ao ser abordada por Wellington Santos, disse que não votaria em Ivan Evangelista, momento em que ele demonstrou ira e nervosismo. De acordo com a juíza Ana Cristina Silva Mendes, restou comprovado que Wellington atuava a mando do candidato à reeleição, com anuência do então secretário Elismar Bezerra. No pedido de liminar, a defesa do vereador cassado argumenta que não há provas de sua ligação com o principal responsável pelos fatos narrados na Representação Eleitoral. Outra denúncia que pesa contra Ivan refere-se ao fato de que a demissão de alguns estagiários estava relacionada à postura da direção da SMTU, segundo a qual eles seriam substituídos por pessoas vinculadas ao vereador. Que o critério para admissão de estagiários antes da troca do secretário da SMTU era por meio de análise de currículos e testes, porém após a troca da direção do órgão a forma de admissão é somente ser filhos e pessoas vinculadas ao PPS, partido do qual o candidato a vereador Ivan Evangelista é presidente, diz um dos depoimentos. Procurado pela reportagem, Ivan Evangelista afirmou que está sendo injustiçado e reforçou que não cometeu crime eleitoral. Ele destacou que, apesar do processo, mantém sua candidatura para deputado estadual. O advogado do vereador cassado, Mário Sá, afirmou que irá recorrer da decisão. O primeiro passo será protocolar um agravo regimental no TRE objetivando que a decisão monocrática seja apreciada pelo Pleno. (JC)