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Terça-feira, 26 de Junho de 2012, 21h:23

DEMÓSTENES

Taques é relator do processo de cassação

Indicação foi feita pelo presidente da CCJ no Senado. Torres é acusado de usar a função para beneficiar o bicheiro Carlinhos Cachoeira

KAMILA ARRUDA
Da Reportagem
O senador Pedro Taques (PDT) foi escolhido na tarde de ontem (26) como relator do processo de cassação do senador Demóstenes Torres (sem partido/GO) na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal. A indicação foi feita pelo presidente da CCJ, senador Eunício Oliveira (PMDB/CE), após reunião de líderes, e foi aceita de imediato pelo pedetista. O relatório que pede a perda de mandato de Demóstenes foi aprovado por unanimidade pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar na última segunda-feira (25). O senador deve apresentar seu voto na próxima quarta-feira (4), por isso, logo após a indicação, se reuniu com a assessoria jurídica do Senado para se inteirar de detalhes. A expectativa é de que a votação aconteça até dia 11 de julho, antes do recesso do Senado. O prazo atende ao regimento interno da Casa, que prevê cinco sessões deliberativas de interstício entre a decisão do Conselho de Ética e a votação na CCJ. Desta forma, de acordo com anúncio feito pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB), haverá sessão deliberativa nas próximas duas segundas-feiras (2 e 9 de julho). Os votos dos parlamentares são secretos, contudo Taques defende a divulgação deles. O tema chegou até a ser alvo de discussões durante sessão do Conselho de Ética e, além de Taques, vários senadores defenderam a medida. Para tanto, uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) teria que ser aprovada no Senado e depois na Câmara para mudar o padrão de votação em processos de cassação. Desta forma, é bem provável que isso não ocorra, pois poderia atrasar a votação do processo. Demóstenes é acusado de utilizar seu cargo de senador para beneficiar o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Segundo o senador por Pernambuco, Humberto Costa (PT), relator do processo, o ex-democrata trabalhava para atender aos interesses do bicheiro em Goiás e em outras partes do país e, em troca, recebia presentes e dinheiro. Para ele, o parlamentar quebrou decoro parlamentar ao manter relação com Cachoeira. Taques foi quem propôs a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o envolvimento de parlamentares com o empresário Carlos Cachoeira, acusado de participar de esquema de jogos ilegais. Além disso, também foi o primeiro a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética da Casa.

Edição EDIÇÃO 16960




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