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Quinta-feira, 02 de Outubro de 2014, 20h:43

PEDIDO

Suspeição contra juíza é negada

ALLINE MARQUES
Da Reportagem
Os 23 pedidos de suspeição formulados contra a juíza Ana Cristina Mendes foram rejeitados em decisão monocrática pelo juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT) Lídio Modesto da Silva Filho. Todos os pedidos foram movidos pela coligação Coragem e Atitude para Mudar contra a magistrada que aparece em vídeo apócrifo, o qual apontava forte ligação com a família do deputado José Riva (PSD). O vídeo, que circulou como viral na internet e nos aplicativos de celular, também relata que a filha de Ana Cristina ocupa um cargo na Assembleia Legislativa e o marido, tenente-coronel da PM Alexandre Corrêa Mendes, teria sido promovido a pedido de Riva e o mostra em ato político do parlamentar. Fotos tiradas do instagran e facebook da juíza ao lado da candidata ao governo Janete Riva (PSD) também foram utilizadas nos pedidos feitos pela Coligação de Taques. No entanto, o juiz entendeu que a questão do pedido para promoção do marido da magistrada é fato comum entre o Legislativo e Executivo e se há irregularidade em o tenente-coronel fazer a segurança de Riva isso deve ser apurado pela Corregedoria da PM. Além disso, ele entende que o pedido deve analisar o envolvimento da magistrada e não de seus parentes. Quanto à nomeação da filha na AL, o magistrado conta que conheceu a jovem ainda na escola, pois estudou com sua filha e reconheceu a competência dela para exercer o cargo de assessora parlamentar. Já sobre as fotos retiradas das mídias sociais e comentários que teriam sido feitos por Janaina Riva, ele ressalta que o fato de serem amigos nas redes não significa que há um vínculo próximo entre as famílias. Além disso, Lídio Modesto lembra que a juíza atuou na Vara da Família participando de eventos promovidos por Janete Riva, por meio da Assembleia. O que também não caracteriza ligação que possa interferir no trabalho da magistrada. “Entendo que o juiz amigo ou inimigo é o que deixa de lado sua imparcialidade, afasta seu senso de justiça e de dever, abafa escrúpulos em nome e em função de sentimentos profundos que todos os homens têm, beneficiando ou prejudicando, com o poder que de seu cargo deriva, as partes submetidas ao seu julgamento. As conjecturas que formam a teia acusatória e se entrelaçam para atribuir a pecha de suspeita e imparcial da magistrada, embora bem elaborada, não tem o condão de macular o histórico até hoje apresentado pela excepta”, traz trecho da decisão. O coordenador jurídico da coligação Coragem e Atitude para Mudar, Paulo Taques, disse que irá recorrer da decisão. Ele argumenta que o juiz Lídio Modesto adotou um rito que não é comum, pois primeiro deveria ouvir a magistrada para depois tomar a decisão. Além disso, ele entende que os argumentos do juiz não rebatem as acusações. A Corregedoria do TRE investiga a autoria do vídeo e ao que tudo indica os responsáveis já foram identificados e estão ligados a uma coligação.

Edição EDIÇÃO 16967




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