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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

Primeira Página
Sábado, 16 de Outubro de 2010, 13h:04

ENTREVISTA

Só Roseli está confirmada no novo staff

O governador reeleito Silval Barbosa (PMDB) afirma que o governo não fará distinção entre partidos políticos e vai buscar atuar junto com os adversários

JEAN CAMPOS
Da Reportagem
Reeleito governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB) se prepara para um novo desafio na carreira política: imprimir na administração estadual seu estilo de governar. “Meu livro de cabeceira é o meu plano de governo”, antecipa o peemedebista. Ainda extasiado por ter desbancado os candidatos Mauro Mendes (PSB) e Wilson Santos (PSDB) no primeiro turno da eleição, Silval só fala do futuro do Estado descartando, no momento, hipótese de candidatura ao Senado daqui a quatro anos. Junto com o legado da Copa do Mundo de 2014, o governador não esconde que pretende deixar sua marca. Para não pecar nos próximos anos, ele avalia com critério a composição do secretariado. Incisivo, Silval Barbosa antecipa que não há garantia de permanência para nenhum secretário estadual. Por enquanto, a única certeza é a volta da primeira-dama Roseli Barbosa à Secretaria de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social (Setecs). O peemedebista também faz mistério sobre a indicação do novo presidente da Agecopa. Silval também fala sobre a eleição da mesa diretora da Assembleia Legislativa e do relacionamento com as bancadas estadual e federal. O chefe do Executivo garante que já superou o embate eleitoral e promete não fazer distinção na governabilidade. “Fui muito atacado, agredido, fizeram calúnias contra mim e ao meu governo, mas não guardo mágoas. Isso é caso superado. Tenho que olhar pra frente, dar resposta à sociedade. E a resposta é colocar em prática o meu plano de governo”, assegura Silval Barbosa. Diário de Cuiabá - Como será o governo Silval Barbosa a partir de janeiro de 2011? Silval Barbosa - Vou trabalhar em ritmo intenso e quero fazer um planejamento forte e continuado para chegarmos a 2014 sendo um governo de muitas realizações. Diário - O senhor já pensa em seu staff? Silval - Há essa preocupação, sim, na composição do governo. Mas vamos trabalhar isso depois da eleição no segundo turno. Diário - O senhor disse recentemente que o deputado Carlos Abicalil será peça importante em seu governo. Ele será indicado para alguma secretaria? Silval - O Abicalil é uma pessoa extremamente competente. Ele pode, sim, fazer parte de qualquer governo, seja em nível estadual ou federal. Ele é uma pessoa que tem uma capacidade, um grau de conhecimento muito grande. Na minha composição de governo eu queria muito ter pessoas com o conhecimento e a capacidade do Abicalil. Diário - Mas ele teria espaço no seu governo? Silval - Todos os partidos que ajudaram a ganhar a eleição estarão sentados para conversar sobre a composição do meu secretariado. Volto a dizer que essa será uma conversa suprapartidária. Diário - A dona Roseli Barbosa, sua esposa, tirou licença da Setecs para se dedicar à sua campanha. Ela volta a comandar a Pasta? Silval - Ela volta e vai me ajudar na Setecs. Conversei com ela. Ela está arrumando a casa nesses dias, está envolvida na eleição da Dilma e cuidando de outros assuntos da família. Depois deste segundo turno, vamos definir se a Roseli volta neste ano ou somente no início do ano que vem. Diário - Qual a importância da Roseli na sua campanha à reeleição? Silval - Foi fundamental. Ela é superarticulada, trabalhou muito, tem um carisma extraordinário, uma facilidade de se relacionar com as pessoas. A Roseli foi indispensável nesta eleição. Diário - Trabalhando no Comitê da Família, ela dizia que estava ouvindo as demandas da população para transformá-las em políticas sociais... Silval – Certamente, todas as sugestões que ela recebeu durante a campanha não só no Comitê, mas nos bairros que percorreu, pode ter certeza de que ela irá tratar com muito carinho na secretaria. Diário - Qual a expectativa do senhor em relação à eleição da candidata presidencial Dilma Rousseff (PT)? Silval - A expectativa é grande até pela relação que construímos com o governo federal, principalmente nos últimos quatro anos. Por ela conhecer a logística de Mato Grosso e já estar comprometida em várias obras em andamento no Estado, vejo que a eleição da Dilma é fundamental. Diário - Será um benefício ter Michel Temer (PMDB) como vice-presidente? Silval - Facilita muito, porque o Temer é presidente nacional do PMDB, o meu partido, além de ser meu amigo. Tenho certeza de que, ele sendo eleito, vai melhorar muito para nós em Brasília. Diário - O senhor já pensou no que a vitória do candidato José Serra (PSDB) pode representar para Mato Grosso? Silval - Não penso nessa hipótese, porque estou trabalhando fortemente para eleger a Dilma. Mas todo o governo que vai fazer transição causa prejuízo em quem está em ritmo acelerado. Demora mais de um ano para uma transição, tem aquela preocupação das emendas parlamentares, se serão cumpridas. Tudo isso causa prejuízo aos Estados. Diário - Mas, caso ele vença, o senhor irá buscar um entendimento? Silval - Vou buscar entendimento através do meu partido, que é o maior do Brasil. Diário - Em virtude da renúncia de Adilton Sachetti, Yênes Magalhães foi nomeado temporariamente como presidente da Agecopa. O senhor deve indicar um novo nome nos próximos dias. A escolha já foi feita? Silval – Eu tenho, até por sugestão da própria diretoria da Agecopa, uma proposta de melhorar a lei da Agência. Estamos estudando qual a melhor forma da Agecopa e, em seguida, vamos encaminhar à Assembleia Legislativa. Se for aprovada, eu faço a indicação conjunta de quem vai compor. Diário – Mas essa proposta prevê ampliação ou redução na diretoria da Agecopa? Silval – Aumentar, não! Tenho que ver primeiro qual a proposta deles. Toda a legislação está sujeita a reforma para aprimorar. É isso que estamos fazendo. Vamos promover, aí faremos a indicação. Diário – Algum nome desponta? Silval – Não, não tem nomes. Diário – Mas qual o perfil de diretor o governo procura? Silval – Não vou adiantar, porque há uma adequação a ser feita e eu não vou criar expectativa para ninguém. Diário – O senhor chegou de pedir para Adilton Sachetti continuar na presidência da Agecopa? Silval – Eu insisti com ele. Pedi para que ele ponderasse o meu pedido e do ex-governador Blairo Maggi. Mas ele disse que a decisão foi uma questão pessoal e nós temos que respeitar. Ele continua sendo meu amigo. Aprendi a conhecer o Adilton e eu agradeço por tudo que ele fez ao Estado. Por onde ele passou contribuiu muito, e não foi diferente na Agecopa. Diário – O nome dele pode estar entre seus novos secretários? Silval – Não vou adiantar nome nenhum até passar a eleição presidencial. Diário – O sistema colegiado na Agecopa não pode causar novos atritos entre os diretores? Silval – Não sei. Ali é um colegiado, mas a responsabilidade deve estar centralizada em um ‘cabeça’. Agora, vamos ver quais mudanças a diretoria propôs para melhorar a gestão. Diário – Um assunto que está recorrente é a eleição para a mesa diretora da Assembleia Legislativa. Os candidatos que despontam são todos da base do governo. O senhor pretende interferir nesta disputa? Silval – Essa área eu conheço bem. Participei de quatro eleições na Assembleia Legislativa, sendo que em duas delas estive como candidato – uma como primeiro- secretário e outra como presidente. Nas duas vezes em que entrei na disputa, pedi ao governo para não interferir, porque a Assembleia é um poder independente. Quem for o presidente terá meu apoio. Já dei minha posição aos prováveis candidatos de que não vou interferir na eleição para a mesa diretora, porque conheço e defendo a independência dos poderes. Diário – Qual a sua avaliação dos deputados estaduais eleitos que assumem mandato em janeiro de 2011? Silval – Novos irão chegar e vou atrás de conhecê-los. Queremos trabalhar não só com os 17 deputados da nossa bancada. Iremos trabalhar com os 24 parlamentares que compõem a Casa. Diário – Como será o relacionamento com a bancada federal? Silval – Quero intensificar, porque sei que a bancada federal pode ajudar muito o Estado, principalmente na discussão para a elaboração do orçamento. Tanto na Câmara quanto no Senado, a participação efetiva da bancada trabalhando nos interesses comuns poderá ajudar a avançarmos significativamente. Por isso, quero estar em sintonia com toda a bancada. Diário – Além do senador Jayme Campos (DEM), o senhor terá que dialogar com o senador Pedro Taques (PDT) e os deputados federais Júlio Campos (DEM) e Nilson Leitão (PSDB), que foram seus adversários na última eleição. Como será o relacionamento com eles? Silval – Com Jayme Campos sempre tive uma boa relação, porque sempre trabalhamos juntos, desde quando ele era governador e eu era prefeito. Tive sempre uma ligação com o senador Júlio Campos. Não tenho nenhum problema com eles e estivemos juntos na eleição de 2002 e 2006. Já estou me aproximando do senador Pedro Taques. Tivemos algumas divergências políticas, mas temos que pensar no Estado. Ele é senador de Mato Grosso e eu sou governador de Mato Grosso. Vou me reunir com todos os representantes na Câmara e no Senado para trabalharmos juntos pelos interesses do Estado. Diário – O senhor se consolida nesta eleição como uma força política. No final do mandato, pretende seguir o caminho do ex-governador Blairo Maggi (PR), que quebrou um paradigma ao ser eleito senador? Silval – Eu só tenho uma meta: estar muito focado no meu plano de governo. Estou empenhado em executar o plano de governo até o final de 2014. Não estou preocupado sobre como será a sucessão no final do meu mandato ou como será a eleição de 2012. Estou focado na gestão do Estado. Diário – O que será diferente no segundo mandato, já que este governo ainda é aquele montado por Blairo Maggi? Silval – O que existe é uma gestão conjunta. Assumi o governo em março, promovendo continuidade nos programas. Eu quero crer que a sociedade aceitou aquele plano que apresentei. O que tem de novo é cumprir aquilo que apresentei no horário eleitoral gratuito, que é um plano de governo muito consistente. Neste final de governo que me resta estou fazendo um planejamento para atender à expectativa da sociedade e cumprir as promessas nos próximos quatro anos. Diário – O seu governo terá mais foco no social? Silval – Eu apresentei meu plano de governo e esse será o meu livro de cabeceira. Tudo aquilo que apresentei à sociedade vou trabalhar para cumprir. E tenho a chance de fazer um governo de realizações, em todas as áreas. Temos um Estado em equilíbrio fiscal, que irá sediar os jogos da Copa de 2014, crescemos 10% ao ano, temos perspectiva de expansão do agronegócio e perspectiva de ampliar a industrialização da produção. Temos vários fatores que irão contribuir para o desenvolvimento e para a geração de oportunidades no mercado de trabalho, geração de empregos, pessoas saindo da linha da pobreza... É um Estado que vai promover o desenvolvimento e proporcionar melhor qualidade de vida às pessoas. É o foco que nós apresentamos à sociedade. Diário – As desavenças políticas do processo eleitoral já foram superadas? Silval - Eu não sou novo na disputa política. Muitos me colocavam como sombra, apesar dessa ser a quinta eleição que disputo diretamente. Sei que toda eleição fica aresta da disputa, mas eu vou ser um governo para todos os mato-grossenses. Fui muito atacado, agredido, fizeram calúnias contra mim e ao meu governo, mas não guardo mágoas. Isso é caso superado. Tenho que olhar pra frente, dar resposta à sociedade. E a resposta é colocar em prática o plano de governo. Ficar guardando mágoa não leva a nada. A experiência que adquiri na minha vida quero colocar em prática com alegria e satisfação para corresponder às expectativas. Diário – Esta é a primeira entrevista exclusiva concedida ao Diário de Cuiabá desde que o senhor foi reeleito. Quer deixar alguma mensagem ao seu eleitor? Silval – Primeiro, quero agradecer a Deus e ao povo pela confiança depositada em mim. Esta foi uma eleição disputadíssima, tive dois concorrentes fortes, não desmerecendo o terceiro. Espero que a sociedade me ajude, os segmentos organizados... Vamos trabalhar muito para todos os mato-grossenses, com muita fé, determinação, carinho e transparência.

Edição EDIÇÃO 16960




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