Primeira Página
Sábado, 24 de Julho de 2010, 12h:57
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ENTREVISTA
Só os custos são tratados com discrição
Quando se trata de gastos de campanha, candidatos expõem extrema cautela sobre assunto e dizem apenas que esperam as famosas doações
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
Propositiva! É esta a primeira palavra que os três principais candidatos ao governo de Mato Grosso usam para definir como será a campanha eleitoral deste ano. O governador Silval Barbosa (PMDB), o ex-prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB), e o empresário Mauro Mendes (PSB) dizem que pretendem mostrar o que já fizeram e o que pretendem fazer por Mato Grosso. Apesar de no primeiro momento o discurso ser de paz e amor, nenhum candidato deixa de ironizar o outro, ali, maliciosamente, no meio do discurso. Silval, por exemplo, diz que só promete o que pode cumprir e não é vendedor de ilusões. Como para bom entendedor meia-palavra basta, a referência vale para Wilson, que ganhou o cáustico apelido de Pinóquio, aquele que mente e não cumpre o que promete. A campanha eleitoral está aberta, oficialmente, desde o dia 6 deste mês. Daqui a exatamente 24 dias começa o horário eleitoral gratuito e poderemos ver qual será o verdadeiro tom da campanha de cada candidato. Uma campanha, diga-se de passagem, milionária. Só os três estimam gastar R$ 68 milhões para divulgar suas propostas e, assim, se elegerem governador de Mato Grosso. Nesta terceira rodada de entrevista com os três postulantes ao mais alto cargo do Estado, o Diário conversa sobre a campanha eleitoral, desde a participação da família de cada candidato, passando pelo enfoque que cada um dará ao seu programa eleitoral, até o valor gasto e de onde sairá o dinheiro utilizado nessa empreitada. Diário de Cuiabá - Em quanto está estimado o custo da campanha e, principalmente, de onde vai vir o dinheiro? Silval Barbosa - Isso é a cargo das pessoas que cuidam da contabilidade. Mas eles estimam R$ 30 milhões. Acontece que não sabemos se vamos arrecadar isso, porque o dinheiro vem de patrocínios, de pessoas que ajudam. Eu não sei qual o limite, o quanto vamos arrecadar. O tamanho da campanha vai ser do tamanho do patrocínio. Dependendo do que nós conseguirmos arrecadar, vamos ter uma estrutura maior ou menor, tudo depende desse volume. Mas nós vamos trabalhar para o melhor, eu tenho uma relação forte de amizade com empresários, tenho amigos. Além disso, o partido nacional tem interesse na minha candidatura e se comprometeu a ajudar com uma participação importante para minha campanha. Então, estamos aguardando e trabalhando. Wilson Santos - Nossos gastos estão estimados em até R$ 18 milhões e vêm de onde a legislação permitir, da iniciativa privada. Mauro Mendes - A campanha está orçada em R$ 20 milhões, conforme declaração feita ao Tribunal Regional Eleitoral. Mas nós gastaremos apenas aquilo que conseguirmos arrecadar. Eu vou fazer uma grande contribuição, Pivetta (deputado estadual e vice de Mendes) também vai contribuir. E vamos pedir contribuição a todos aqueles que puderem e quiserem ajudar, por acreditar no trabalho que eu e Pivetta poderemos fazer por este estado e todos que vivem aqui. Não teremos muita ajuda do PSB, pois é um partido modesto, mas que preza pela ética e correta aplicação dos recursos em todo país. Os fundos partidários que temos são pequenos e insuficientes para tocar uma campanha em todos os cargos que estamos disputando, por isso a grande contribuição deverá vir mesmo daqueles que vivem em Mato Grosso e acreditarem no nosso projeto. Diário - A sua campanha vai explorar a deficiência do outro candidato? Ou seja, vai mostrar as falhas e pontos fracos do concorrente? Silval - Não, eu quero trabalhar em cima de propostas, do que nós fizemos e do que nós poderemos fazer para Mato Grosso. Vai ser uma campanha propositora. Não quero entrar atacando, criticando, não vai ser meu estilo. E esse nunca foi o meu estilo. Eu quero entrar com uma campanha altamente propositiva. Wilson - A minha linha sempre é a propositiva. Eu tenho uma boa biografia da qual me orgulho muito. Subi essa escada degrau por degrau, me preparei a vida toda para ser governador de Mato Grosso e quero ser o melhor governador de todos os tempos, fazer muito por este Estado, devolver a ele tudo que ele deu a mim e à minha família. A tendência é manter uma linha propositiva, mas claro que havendo ataques, agressões, a tendência é responder a eles. Mas sempre digo, em bom tom e bom nível. Mauro - A nossa campanha será centrada em Mato Grosso, nos seus problemas e, principalmente, nas suas soluções. Vamos falar do presente e do futuro. Vou procurar respeitar todos nossos adversários, desde que respeitem o nosso espaço e o nosso direto de concorrer a esse cargo. Não aceitarei em momento algum que mentiras sejam inventadas sobre nós e sobre o trabalho que estamos fazendo. Em algum momento poderemos fazer, sim, algum tipo de comparação para mostrar quem é quem nessa história. Diário - E se houver ataques muito ofensivos ao senhor, como isso vai ser tratado na eleição? A resposta vai ser dada na mesma moeda? Silval - Dentro de toda a estrutura da campanha eu tenho a assessoria jurídica. Então, se porventura eu sofrer ataques, quem vai responder será a assessoria jurídica. Se for ofensa pessoal, caluniosa, certamente será tratado na Justiça. Eu vou tomar cuidado com isso, não vou partir para atacar ninguém ou agredir, que nunca foi meu etilo na política, e eu faço política há 20 anos. Minha forma de fazer política é diferente, é política de resultado, de ações concretas, de propostas, de avanço para nosso Estado, da melhoria de qualidade de vida das pessoas. Meu foco são pessoas, para que todos estejam inseridos e beneficiados nesse grande desenvolvimento pelo qual Mato Grosso está passando. Wilson - Eu sou o mais agredido. Pela mídia, pelos concorrentes... Com certeza, serei o mais agredido. Vou tocar e suportar até enquanto for razoável. Havendo algo que haja necessidade de resposta, faremos as resposta em um bom nível, respeitando o eleitor. Mauro - Eu espero que isso não aconteça. Eu, como cidadão e eleitor, desejo uma campanha propositiva, e como candidato, vou procurar o tempo todo agir dessa forma. Se isso acontecer, no momento adequado analisaremos qual será o posicionamento da nossa campanha. Diário - Como está a articulação no interior? O senhor acredita que prefeitos do mesmo partido que o candidato a governador podem ser grandes puxadores de votos ou outras forças são mais cruciais na hora da eleição? Silval - O conjunto das forças partidárias que formou o nosso grande arco de aliança tem peso e tem poder de puxar voto. São lideranças expressivas, desde vereadores, presidentes de partidos e prefeitos. Aqui entra também o componente partido nacional. O PMDB nacional é um partido muito forte, junto ainda com o PT e PR nacionais. Todos os partidos que compõem o arco de aliança formam uma força superinteressante. E também a força estadual que nós temos aqui: temos 20 deputados que estão conosco na campanha, empresários, segmentos organizados da sociedade que estão envolvidos na campanha. Todo esse conjunto soma, sim, na busca do resultado do voto. Wilson - O histórico recente em Mato Grosso diz que prefeitos não interferem, conforme as eleições anteriores. Depende muito de cada momento que o prefeito está passando. Geralmente, no meio do mandato os prefeitos não vivem bons momentos. Mauro - O prefeito é uma liderança política como tantas outras que existem dentro do cenário estadual. Elas podem, sim, colaborar com uma campanha. Mas eu acredito que cada vez mais o cidadão, o eleitor, tem autonomia e condições de saber das informações, saber quem é quem e tomar livremente a sua decisão. Mas a liderança de uma pessoa não está caracterizada simplesmente por ele estar dentro de um partido político ou ocupando um cargo público. Existem milhares de pessoas, na área empresarial, do movimento da sociedade civil, líderes comunitários, cidadãos comuns que no seu segmento e ciclo de vivência possuem representatividade e credibilidade. Vamos procurar falar com todas essas pessoas e mostrar quem é Mauro Mendes, mostrar nosso projeto, quais são as nossas intenções e pelo que estamos lutando e fazer com que lutem ao nosso lado. Diário - No dia 17 começa o horário eleitoral gratuito. Este é o ponto alto de uma campanha? Silval - O horário eleitoral gratuito serve para você atingir mais pessoas. Você tem um alcance maior com esse instrumento. Hoje nós percorremos Mato Grosso todo, fazemos reuniões todos os dias, mas não temos o alcance de um grupo em massa, não atingimos a maioria da população, e os meios de comunicação no horário gratuito têm esse papel fundamental. Portanto, eu tenho uma equipe de marketing trabalhando já nisso para eu alcançar este resultado, o de chegar a todo mundo. Eu espero que nós consigamos nos comunicar com cada cidadão para que ele entenda o que nós fizemos, o que nós construímos no Estado ao longo desses sete anos e o que nós queremos para os próximos quatro anos. Wilson Sim! Mauro - Num Estado tão grande como Mato Grosso, com 141 municípios, separado em diversas regiões, a televisão e os meios de comunicação são a maneira mais fácil e mais objetiva de fazer com que a sua mensagem e propostas cheguem a todos os cantos, cidades e lares do Estado. Esse mecanismo seguramente é o mais eficiente para você divulgar o seu pensamento e os seus objetivos. Já iniciamos os primeiros trabalhos para no dia 17 colocarmos nossa mensagem no ar. Diário - Como vai ser a participação da família na campanha? Toda ela vai estar empenhada, trabalhando? Silval - A minha família está toda empenhada. Minha esposa, Roseli Barbosa, já se afastou da secretaria que ocupava no governo, pediu exoneração porque quer entrar na campanha. Meus filhos já estão na coordenação, tanto o Rodrigo quanto o Ricardo. Tenho três irmãos me ajudando. A família nessa hora entra pela emoção, pela vontade, pela determinação e todo mundo acaba se envolvendo. Agora a Roseli, especificamente, adora fazer política, gosta da campanha. Principalmente uma campanha deste tamanho, onde ela está inteiramente envolvida. Wilson - Sim, Adriana, minha esposa, coordena o Movimento Mulher. O meu filho Elton, que é acadêmico de Direito, estagia num escritório que trabalha com direito eleitoral; e os dois menores, Gabriel e Daniel, 12 e 15 anos, basicamente torcem pelo pai e brigam na escola (risos). Mauro - O grande apoio que a família pode dar é compreender esse momento importante que estamos vivendo e objetivo pelos quais estamos lutando. A esposa e os filhos apoiam moralmente, afetivamente para que nós possamos continuar essa luta que não é só minha, mas de todos aqueles que acreditam que é possível fazer deste Estado um lugar melhor. Minha esposa vai participar da campanha, mas ao mesmo tempo vai cuidar do nosso lar e dos nossos filhos e também de uma parte das atividades da minha empresa. Diário - Quais são suas principais qualidades como gestor? Ou seja, o que o senhor tem de melhor e o diferencial dos outros candidatos? Silval - O meu diferencial é pautado pela sinceridade, pautado por tudo aquilo que eu me comprometo com a sociedade, seja com um plano de governo, no orçamento ou no cumprimento de uma gestão, ser supertransparente. Não minto para ninguém, não prometo aquilo que eu não posso cumprir. Tudo que eu prometer vou cumprir. Não fico por aí criando expectativas que não possam ser realizadas, não sou um vendedor de ilusão. Eu quero ser o mesmo Silval. Desde quando estive como prefeito, presidente da Assembleia, primeiro-secretário, vice-governador e hoje governador o meu estilo é um só, sou o mesmo Silval. Tenho o compromisso de tudo aquilo que falar cumprir e ser transparente na aplicação dos recursos. Além de ser muito próximo do cidadão, dar abertura para as pessoas se comunicarem comigo, ter acesso, dar sugestões e acima de tudo trabalhar com austeridade, lisura, transparência e compromisso com aquilo que arrecadar do cidadão, para que tudo isso seja revertido e o produto dessa reversão possa melhorar a qualidade de vida das pessoas. Wilson - Eu sou um gestor que procura respeitar a lei de responsabilidade fiscal. Procuro trabalhar com planejamento estratégico, procuro uma gestão transparente e procuro fazer uma gestão integrada. Instalei em Cuiabá a governança integrada. Tive as quatro contas apreciadas pelo Tribunal de Contas do Estado aprovadas. Cumpri os princípios de uma administração moderna, eficaz e eficiente. Os resultados estão aí. Peguei uma cidade que não conseguia pagar salários aos seus servidores e hoje está na Copa do Mundo. É considerada a terceira melhor cidade do país para investimento dentre as cidades que estão na faixa populacional entre 500 mil e um milhão de habitantes. Cuiabá está bombando. Mauro A boa administração está alicerçada sobre alguns fundamentos, segundo a literatura e conforme os resultados colhidos ao redor do mundo. O bom administrador tem que saber motivar as pessoas, qualificá-las e saber cobrar dessas pessoas. Mas o bom administrador é aquele que sabe produzir resultados concretos no âmbito em que ele está inserido. Ao longo da minha vida, por onde passei tenho um lastro de bons resultados. Tenho carreira na administração privada, e a grande diferença entre a administração pública e privada é que na administração privada, se você é incompetente, quebra. Nesse caso, você mesmo paga a conta. Na administração pública se o gestor é incompetente, quem paga a conta é o cidadão, porque é com dinheiro público que muitos incompetentes brincam de administrar. E a pior conta que o cidadão paga é que os serviços públicos são de péssima qualidade. Quando o administrador público é incompetente a saúde não funciona, o lixo não é coletado, a rua do bairro não recebe asfalto... enfim, todos os serviços que são dever do Estado normalmente não funciona quando o administrador público é incompetente.