Primeira Página
Quarta-feira, 09 de Fevereiro de 2011, 21h:15
A
A
FIM DE MANDATO
Silvério diz que cumpriu promessa no TJ
Presidente do Poder Judiciário afirmou que durante sua gestão não foram feitos pagamentos diferenciados para os magistrados
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
Faltando 19 dias para concluir o mandato de presidente do Tribunal de Justiça, o desembargador José Silvério Gomes afirma que conseguiu cumprir promessa que fez no primeiro dia de mandato: não fazer pagamentos diferenciados para os magistrados. Ele deixa a presidência no dia primeiro de março, passando o cargo para o desembargador Rubens de Oliveira, eleito no ano passado. Silvério Gomes assumiu a presidência do Tribunal num momento delicado de crise para um mandato-tampão de apenas um ano. O então presidente, desembargador Mariano Travassos, teve que deixar o cargo porque foi punido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com a aposentadoria compulsória por suposto desvio de dinheiro dos cofres do Tribunal, por meio de pagamentos de benefícios a magistrados. Junto com ele, mais três desembargadores e sete juízes receberam a mesma punição. Todos já conseguiram retornar aos cargos por meio de liminar. O Supremo Tribunal Federal (STF) ainda vai fazer o julgamento final do caso e decidir se eles continuam ou não nos cargos. José Silvério já declarou que a missão de assumir a presidência naquele momento não foi fácil. Como a denúncia contra os magistrados punidos havia sido feita por outros desembargadores, o clima dentro do Tribunal era de rivalidade e revanche. Por seu temperamento cordial e amigável, José Silvério foi um nome de consenso entre os magistrados. Apesar dos problemas, José Silvério disse não houve mais escândalos e notícias ruins de dentro do Judiciário. Não vimos mais nada, não houve mais discussões do Pleno. O pessoal colocou a cara no trabalho, disse o desembargador. Outro problema enfrentado pelo desembargador foi uma greve que aproximadamente três meses dos servidores do Judiciário, que cobravam aumento e outros benefícios. Dos 30 desembargadores, o Tribunal de Justiça está trabalhando com apenas 22, devido à impossibilidade de novas promoções no momento. No entanto, José Silvério afirma que essa deficiência momentânea não causou prejuízo aos trabalhos da corte. Não tivemos atrasos por causa desse quadro. Houve sobrecarga para os desembargadores, mas todos entenderam e estão trabalhando muito, ficam aqui até tarde da noite, trabalham até no final de semana, disse o presidente. Segundo José Silvério, a deficiência mais grave no momento é no quadro de juízes. O concurso público realizado vai amenizar o problema. Foram abertas 46 vagas, mas, devido à atual situação, se 60 pessoas passarem o Tribunal pode chamar mais do que era previsto, isso se o orçamento permitir, lembrou o presidente. A nomeação desses novos juízes, prevista para esse primeiro semestre ainda, ficará para o próximo presidente.