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Sábado, 14 de Junho de 2008, 13h:32

ENTREVISTA

Silval, o reservado articulador do PMDB

Governador em exercício até esta segunda-feira, Silval Barbosa tem participado de várias discussões políticas envolvendo seu partido

SONIA FIORI
Da Reportagem
Pela quinta vez no comando do Palácio Paiaguás, o governador em exercício Silval Barbosa (PMDB) encerra nesta segunda-feira mais uma interinidade de 12 dias. Neste período, fez uma série de despachos, audiências e visitas ao interior do Estado. Neste período, o governador Blairo Maggi (PR) esteve em Washington, nos Estados Unidos, onde tratou de questões ambientais. Membro do diretório regional do PMDB, Silval faz um mapa do partido frente às eleições deste ano e projeta as perspectivas da legenda para o pleito de 2010. Alerta os diretórios municipais sobre a lisura a ser adotada nos processos de composições, além de afirmar que as alianças serão ditadas, em princípio, pelos comandos do partido nas cidades. Barbosa admite o mal-estar entre o PMDB da Capital e o prefeito Wilson Santos, que afastou a sigla do projeto de reeleição tucano. No entendimento dele, os reflexos da decisão do PMDB na Capital não deverão atingir Rondonópolis, onde o pré-candidato à prefeitura, deputado Zé Carlos do Pátio (PMDB), havia recebido indicativo de apoio do PSDB. Analisa ainda a baixa sofrida no partido com a saída do PMDB do deputado estadual Walter Rabello, que lidera hoje o projeto próprio do PP em Cuiabá. Ao vislumbrar o contexto de 2010, o vice-governador ressalta a necessidade da união das forças políticas para a construção de um projeto na corrida ao Palácio Paiaguás. Otimista, acredita que em Várzea Grande o PMDB possui boas chances de conquistar a administração municipal com Nico Baracat (PMDB). Diário de Cuiabá - Diante do trabalho de visitas ao interior do Estado já se tem uma posição do partido frente ao pleito de 2008? Silval Barbosa - O resultado dos trabalhos que foram desenvolvidos no ano passado surtiram efeito agora este ano. Temos 82 pré-candidaturas a prefeito em Mato Grosso. Nas cidades-pólo em quase todas temos candidaturas interessantes. E todos os projetos do partido são importantes, independente do tamanho da cidade ou da população, porque é um trabalho de organização partidária de toda a Executiva regional. Diário - Assim como a maioria dos partidos, o PMDB também prevê autonomia para as direções municipais para decidir sobre as composições ou há restrições? Silval – Não! Primeiro a prioridade é a candidatura própria. Não havendo o projeto próprio, onde há diretórios organizados existe a autonomia. O partido não vai intervir, isso só ocorre naqueles casos que em determinado lugar a direção quer usar o partido para fazer negociata, para vender a sigla, e não permitimos isso. Se for identificado esse tipo de atitude, certamente o diretório faz a intervenção. Diário - Existem partidos com os quais o PMDB está mais alinhado. Seria o caso do PT, por exemplo? Silval - As eleições municipais são muito difíceis, são diferentes das demais. A realidade de Cuiabá não é a mesma de Várzea Grande. Cada município possui suas peculiaridades, que precisamos respeitar. Em determinado município o PT vai bem com o PTB e em outra cidade podem existir resistências aos grupos formados. Então, é preciso respeitar muito essa diversidade de cada município, mas estamos muito bem alinhados com o PT. Há poucos dias nós estivemos fazendo uma avaliação, o PMDB e o PT, a respeito de levantamentos feitos nas cidades. Há uma proximidade muito grande, uma relação forte na maioria dos municípios. Mas isso também acontece com outros partidos. Diário - No caso de Cuiabá, houve uma grande perda com a saída do deputado Walter Rabello? Silval - O PMDB é um partido que nas últimas eleições sempre teve candidatura própria e era prioridade nossa o projeto próprio. Trabalhamos com muita determinação na candidatura do Walter Rabello para prefeito. Não aceitamos num determinado período compor com o PSDB, porque nós queríamos uma candidatura própria. Nós acreditávamos na candidatura do deputado Walter e trabalhamos nesse projeto. Infelizmente no último dia, ele nos deixou. Tanto, que apostamos no projeto que não trabalhamos a opção “B” ou “C”. Não foi falha do partido, porque acreditávamos na candidatura dele. Diário - O PMDB havia fechado indicativo de apoio ao projeto de reeleição do prefeito Wilson Santos. Agora firmou entendimentos com outras siglas como o PR e o PT. Silval - Não participei das discussões desse processo que levou ao indicativo de apoio ao prefeito. Foi o diretório municipal que havia feito uma composição. Não sei se foi apenas para a governabilidade ou se havia inserido a composição nas eleições, mas sei que infelizmente parece que não deu certo. Agora o partido municipal está aberto a discussões com outros partidos e certamente com o PT, PSB e PR. Diário – O senhor tem conhecimento de que o presidente estadual do PMDB, deputado federal Carlos Bezerra, estaria coordenando esse processo? Silval - O deputado Carlos Bezerra fez de tudo para fazer um fortalecimento do partido em Cuiabá e em todos os municípios de Mato Grosso. Foi determinado e se empenhou nas ações. Mas quando se deram esses conflitos e o Aldo saiu da Sanecap, o deputado Carlos Bezerra também entendeu que era o momento de se afastar da discussão e deixar a cargo do diretório municipal decidir sobre o assunto. Diário - No âmbito de Várzea Grande o PMDB havia firmado apoio ao nome do deputado Maksuês Leite (PP), que abriu mão da disputa. Como avalia o nome do vice-prefeito Nico Baracat para comandar o projeto próprio? Silval - Já estava toda feita a composição com o PP, e isso se aplica ao PMDB, PT e outras legendas que haviam fechado apoio ao pré-candidato Maksuês Leite. Infelizmente houve a desistência do parlamentar. O Nico comunicou à Executiva regional que o partido estaria buscando outra alternativa, tendo em vista a necessidade de começar outras articulações. Ele pediu prioridade para o projeto de Várzea Grande colocando o nome dele à disposição. O PMDB deu o aval ao Nico, que é vice-prefeito de Várzea Grande, para trabalhar essa composição. O Nico é uma excelente alternativa, porque experiência ele tem, além de pertencer a uma família tradicional no meio político. Ele estará buscando formar um arco de alianças forte com outros partidos que tinham composto com o deputado Maksuês para tentar uma candidatura própria, e tem o aval da Executiva regional. Diário - O senhor acha que o PMDB tem reais chances diante todo este quadro e de um adversário como o Júlio Campos? Silval - Nós temos que respeitar todas as candidaturas colocadas. Não podemos subestimar, porque todo aquele que vai para o embate eleitoral tem que ser respeitado. A primeira regra é respeitar o adversário, nunca subestimar, e isso é regra para se ter uma grande vitória. Mas nós sabemos do potencial do Nico e em eleição tudo é possível. Diário - Diante da decisão do deputado Maksuês, o cenário pode ficar mais propenso ao PMDB e facilitar o caminho? Silval - Eu não sei se isso vai refletir, mas ele tem condições de agregar forças dos outros partidos para uma boa disputa lá em Várzea Grande. Diário - Em Rondonópolis, o deputado Zé Carlos do Pátio tem boas chances de garantir o sucesso no projeto próprio? Silval - Hoje ele lidera as pesquisas com uma larga vantagem. O Zé é um aguerrido, uma pessoa que realmente é determinada. Também possui ampla experiência como parlamentar, basta verificar o trabalho na Assembléia Legislativa. Às vezes diverge um pouco da minha linha, mas respeito muito o trabalho do deputado Zé Carlos do Pátio. Ele é de Rondonópolis e já disputou várias eleições no município, sendo vereador por três mandatos e deputado estadual por várias legislaturas, além de ter atuado na Secretaria de Obras. Então acredito que o Zé tem uma grande chance em Rondonópolis de ganhar as eleições. Diário - O senhor não teme que essa posição do PMDB em Cuiabá possa atingir o projeto do partido em Rondonópolis, já que o PSDB havia dado indicativo de apoio ao pré-candidato Zé Carlos do Pátio? Silval - É preciso separar bem. Quando se tem um projeto para uma cidade, é preciso estabelecer metas e um bom programa de governo, ter autoconfiança e não ficar contando com outras cidades. Ah, minha eleição só vai se viabilizar se acontecer isso lá em Itiquira, Cuiabá ou outro município. Não, nós temos que ver que essas são eleições municipais, que têm características das cidades. Então, é preciso focar todos os esforços no município e buscar um arco de alianças na sua região. Não se pode ficar dependendo de uma composição ou de uma conjuntura em outros municípios. Quando uma pessoa sai para ser candidato, que é determinado e que tem um bom programa, ela tem que ficar centrado nas questões relacionadas ao município. A eleição é municipal, não estadual. Diário - Projeto do PMDB para 2010 é o governo do Estado? Silval - Isso depende de uma série de conjunturas. Todas as siglas trabalham um projeto e o PMDB não é diferente. O partido vai trabalhar, até porque existe uma cobrança do partido em nível nacional. Mas sou muito cauteloso em discutir isso, porque o assunto ainda é prematuro. Sempre discutimos com os líderes políticos, com os partidos, mas ainda não há como traçar uma meta hoje. Imagina-se qual seria uma composição, mas ainda não há como trabalhar, porque ainda existe a verticalização. Então, é preciso aguardar e ver o que vai acontecer em nível nacional, se o nosso partido terá candidatura própria, e se não tiver é preciso saber com quem estará compondo. Mas o partido tem esse desejo de ter uma candidatura em 2010. Diário - O senhor disponibilizaria seu nome para a liderança da disputa? Há um projeto ou acordo para que o senhor assuma o governo do Estado? Silval - O governador tem reiterado isso várias vezes e é público que ele deseja se afastar no último ano, trabalhar projetos e cuidar de outros compromissos. Isso ele tem falado, mas não existe acordo para que ele se afaste e eu assuma o comando do Estado. Ele tem falado, mas é uma decisão pessoal dele. Tenho trabalhado firmemente frente às decisões que ele determina e as funções em que sou colocado. Tenho trabalhado com respeito e lealdade ao governo e isso é recíproco. Lógico que eu trabalho e me preparo todos os dias. Se for preciso lá na frente e o governador permitir, darei a continuidade às ações do governo do Estado. Mas ressalto: não existe acordo, isso o governador tem colocado espontaneamente. Diário - O relacionamento entre o PMDB e o governador Blairo Maggi (PR), que já passou por clima de animosidade, interfere nas alianças entre as duas siglas? Silval - Eu vejo que não. Essa possível divergência que houve não reproduz a atual realidade. Hoje estou mais integrado dentro do governo do que nunca. Já assumi o governo por várias vezes e estou muito bem integrado na equipe. Existe uma respeitabilidade muito grande do governador em relação à minha pessoa. Às vezes existe um pouco de falta de aproximação do governo com membros do partido, com a bancada, com o próprio deputado federal Carlos Bezerra. Acho que essa união poderia trazer um resultado até maior para as duas siglas. Tenho falado sempre sobre essa situação e tanto o governador como o Carlos Bezerra entende o contexto. Hoje o deputado tem uma influência e capacidade e habilidade que há de se reconhecer, principalmente, de buscar recursos em Brasília e tem conquistado resultados para o Estado. Se a integração fosse maior, o resultado também seria maior, mas não há um racha entre o PMDB e o PR. Não vejo essa possibilidade de essa relação ter influência sobre as composições nos municípios. Diário - Como analisa o relacionamento hoje do governo do Estado com a Assembléia Legislativa? Silval - Sempre foi uma relação harmoniosa e no Parlamento sempre houve discussões em que determinados momentos alguns itens ou algumas mensagens que estão na pauta têm discussões mais acaloradas, como projetos que possuem opiniões divergentes. O Parlamento não deve ser unanimidade, mas a relação de harmonia entre os poderes e o governo do Estado é muito boa e em especial com a Assembléia Legislativa. Existe respeito mútuo, até porque o governador não tem autonomia sobre o Poder, que é independente. Também há reciprocidade da parte da Assembléia, assim como dos outros poderes.

Edição EDIÇÃO 16962




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