O governador Silval Barbosa vai recorrer ao vice-presidente Michel Temer para abrir discussão sobre a dívida dos estados com a União
SONIA FIORI
Da Reportagem
O governador Silval Barbosa (PMDB) quer liderar um movimento entre os chefes de executivos estaduais para discutir junto com a União a renegociação das dívidas dos estados. Só Mato Grosso amarga uma dívida de aproximadamente R$ 5 bilhões. Com um discurso de defesa do equilíbrio fiscal e financeiro dos estados, Silval utilizará a força do PMDB para garantir a revisão do saldo devedor que engessa a perspectiva de expansão de investimentos para o desenvolvimento de estados como Mato Grosso. A dívida se coloca como barreira para a implementação de projetos que, necessariamente, estão vinculados a novas contratações de financiamentos. A capacidade de endividamento dos estados é medida pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) que faz análise tendo as pendências como um dos parâmetros para liberação da margem para novas adesões. Ao se colocar como responsável por ações de portes grandiosos, como os projetos relativos à Copa de 2014, ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e ainda em relação a obras do aeroporto Marechal Rondon, Silval traz para si o compromisso de viabilizar as promessas de campanha. Silval quer contar com o PMDB nacional, através do apoio do vice-presidente, Michel Temer. O governador cobrará ainda da presidente Dilma o apoio prometido por ela no período eleitoral, quando em Cuiabá se comprometeu em oferecer uma atenção especial para Mato Grosso. À época, ela destacou a importância de colaborar com novos investimentos para o Estado, citado como o celeiro do desenvolvimento econômico do país. Silval foi informado em recente reunião de secretariado, por sua equipe econômica, a respeito do quadro desolador da dívida do Estado junto à União. Mesmo assegurando o pagamento da dívida nos moldes esperados pelo governo federal, o montante total do bolo simplesmente não vem sendo reduzido. No exercício de 2010, o Estado desembolsou cerca de R$ 1 bilhão referente ao débito. As dívidas foram contraídas por governos anteriores. Os juros pautados em índices como o indexador inflacionário da dívida pública, IG-PDI, somados a outras taxas, têm gerado resultado negativo isolando a perspectiva de redução do total devido pelo Estado. O comportamento do caixa público não tem agradado ao governador, que espera conseguir uma solução a curto prazo para a problemática. Silval também lançará proposta de coordenar junto aos chefes de executivos estaduais o debate sobre conjunto de propostas que serão defendidas junto à presidente, com o objetivo de assegurar uma revisão para o quadro.