Os senadores mato-grossenses Jayme Campos (DEM) e Pedro Taques (PDT) ficaram frustrados com a postura adotada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, que não respondeu a nenhum questionamento feito pelos membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga suas relações com agentes públicos e privados. Foi decepcionante, na medida em que todos estavam preparados para fazer perguntas a ele, mas trata-se de um direito legal. Agora, teremos que aguardar a próxima oitiva, na qual ele se comprometeu a falar, avaliou Jayme Campos. O democrata afirmou ainda que ficou descontente com a situação, pois havia preparado uma lista de perguntas para fazer ao bicheiro. Pedro Taques, por sua vez, disse que a sessão não poderia se tornar uma piada e ressaltou a importância de reunir provas documentais contra o acusado. Não estamos aqui diante de um filme americano, no qual o réu confessará tudo. Ele [Cachoeira] não irá confessar nada. Ele está muito bem assessorado pelo ex-ministro Márcio Thomaz Bastos. Precisamos de provas documentais. Taques alertou ainda para a necessidade de votar a quebra de sigilos dos envolvidos nos crimes investigados pela CPMI. O parlamentar teme que ocorram manobras caso os requerimentos sejam apreciados somente no dia 5 de junho, data da próxima reunião administrativa da Comissão. Se deixarmos para o dia 5 de junho, o dinheiro das empresas investigadas pode ter se esvaído por uma cachoeira, disse, durante depoimento do bicheiro. Embora tenha demonstrado insatisfação, o senador ponderou que o acusado exerceu seu direito constitucional ao permanecer calado. Logo no início da sessão, Cachoeira afirmou que só falaria à CPI após suas audiências na Justiça, marcadas para 31 de maio e 1º de junho. Durante a reunião, entretanto, parlamentares o alertaram sobre possíveis prejuízos de sua opção por não responder às perguntas e propuseram que ele fizesse a chamada delação premiada, apontando pessoas envolvidas com o esquema e sendo beneficiado por isso. A próxima reunião da CPI acontecerá nesta quinta-feira (24).