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Primeira Página
Sexta-feira, 01 de Abril de 2011, 21h:00

PROCESSO DE EXPULSÃO

Serys faz defesa hoje, mas sob sigilo

A ex-senadora responde a um processo interno no PT por infidelidade partidária que teria ocorrido na eleição majoritária de 2010

HUMBERTO FREDERICO
Da Reportagem
A suplente de deputada federal e ex-senadora Serys Slhessarenko protocola sua defesa à Comissão de Ética do PT, hoje, na sede do partido, em Cuiabá. Serys sofre processo dentro da própria sigla por infidelidade partidária. Segundo uma parte da cúpula petista, ela não teria apoiado o ex-deputado federal Carlos Abicalil para o Senado. Fato negado pela petista. “Eu realmente tenho convicção de que não traí o partido, mas não posso entrar em detalhes da minha defesa, pois é sigiloso. Nem eu e nem a Comissão de Ética podemos vir a público”, afirmou ela, que entrou com uma ação cautelar no mês passado pedindo para que o seu processo fosse repassado para a Executiva nacional. Em reunião no partido no último dia 25 de fevereiro, o diretório regional do PT aprovou a abertura de processo contra Serys e outros cinco petistas, que foram derrotados nas urnas no ano passado. Dentre eles, o vereador por Cuiabá e pré-candidato à prefeitura, Lúdio Cabral, e a ex-deputada estadual Vera Araújo, além de Heroísa Mello, Juca Lemos e Jucy da Eletronorte. O deputado estadual Ademir Brunetto (PT) criticou a postura dos petistas por moverem a ação contra a ex-senadora. Em entrevista à imprensa esta semana na Assembléia Legislativa, ele se mostrou preocupado sobre uma possível expulsão da Serys. “Sou totalmente contra a expulsão dela e já disse isso para o partido. A Serys tem uma história dentro do PT, não se pode fazer isso. Estou temeroso, não sei o que está passando pela cabeça dos nossos companheiros de sigla”, disse ele. Para resolver o impasse, Brunetto defende que a Comissão de Ética aplique uma advertência contra a ex-senadora e os demais petistas. “Desta forma, estaríamos contemplando os dois lados, com uma punição leve sob os acionados”. A acusação contra a ex-senadora é de que em seu material de campanha não constava o nome de Carlos Abicalil. O petista foi o terceiro mais votado em 2010 e ficou sem o cargo. Serys também declarou diversas vezes durante o pleito eleitoral que não apoiaria o ex-presidente do PT no Estado. A briga dentro do PT iniciou-se quando o então deputado federal Abicalil anunciou que seria candidato ao Senado pela sigla. Serys, então senadora, entendia que a vaga era naturalmente dela, por já ocupar o cargo anteriormente. Os dois trocaram rusgas através da imprensa e convocaram uma prévia dentro do partido para escolher o candidato. Na votação interna, ocorrida em março do ano passado, Abicalil saiu vitorioso. Durante a campanha, a briga entre os dois maiores líderes do PT refletiu em todo o Estado. Abicalil não conseguiu se eleger senador e Serys foi derrotada na candidatura a deputada federal. Para piorar, o único deputado federal eleito pelo PT, Ságuas Moraes, deverá perder a vaga, já que com a queda da “Lei da Ficha Limpa” o ex-prefeito de Sinop, Nilson Leitão (PSDB), deverá conquistar o espaço do petista.

Edição EDIÇÃO 16961




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