Primeira Página
Sexta-feira, 16 de Maio de 2008, 21h:36
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MEIO AMBIENTE
Senado pedirá perícia em dados do Inpe
Subcomissão oficializa na próxima terça-feira, durante a sessão plenária, o requerimento para pôr fim divergências sobre desmate
ALECY ALVES
Da Reportagem
Na próxima terça-feira, dia 20, a subcomissão de Meio Ambiente do Senado oficializará em plenário um pedido de perícia nos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre desmatamento na Amazônia Legal. De acordo com o presidente dessa subcomissão, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que esteve ontem em Cuiabá para participar da audiência pública da Comissão Externa de Risco Ambiental do Senado, o requerimento será apresentado como parte do procedimento aberto dias atrás para investigar a operação Arco de Fogo. A idéia é desqualificar a estatística e pôr um fim às medidas determinadas pelo governo federal, como o embargo de propriedades rurais apontadas como líderes do desmate ilegal e a operação, severamente criticadas pela classe política mato-grossense e as populações das cidades do Nortão, onde a Polícia Federal e o Ibama fazem devassa em madeireiras. Flexa Ribeiro, que ontem esteve em Cuiabá para participar da audiência pública, disse que é necessário não apenas autorização do Congresso para periciar o monitoramento do Inpe, mas como se dará essa perícia. São reais ou não? É isso que queremos esclarecer, disse, numa referência à dúvida levantada pelos governadores dos três estados atingidos pelas represálias federais aos estados de Mato Grosso, Pará e Rondônia. Aqui, mais de cinco meses depois da divulgação, Blairo Maggi, senadores e lideranças dos segmentos rurais e do comércio de madeira continuam contestando os números sem convencer que realmente são inverídicos. Para o governo do Estado, somente 10% dos pontos apontados pelo Inpe no período de outubro a dezembro de 2007 são aberturas recentes da floresta. Os outros 90% seriam afloramentos rochosos e derrubadas antigas. Para o Ministério do Meio Ambiente, porém Mato Grosso lidera o arco do desmatamento com 19 dos 36 municípios que mais desmataram nesse período. Flexa Ribeiro explicou que a comissão tem 90 dias para apresentar relatório sobre o que apurou da Arco de Fogo. A expectativa dos parlamentares é que dentro desse prazo consigam fazer a perícia, encaminhar propostas sobre como explorar as riquezas da floresta amazônica no futuro. A comissão concorda em manter a floresta perene, mas não da maneira como vem sendo feita. Queremos produção e desenvolvimento sustentável, frisou ele. Se comprovar que o Inpe errou, Flexa Ribeiro disse que vai responsabilizar judicialmente o órgão pelos prejuízos causados à ao país, aos estados, aos produtores e as populações das cidades afetadas. Por conta desses dados houve desemprego, perdas para a economia e a imagem do Brasil lá fora ficou extremamente ruim, reforçou.