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Sábado, 29 de Junho de 2013, 14h:22
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MOMENTO HISTÃRICO
Senadinho comemora protestos populares
Para a âvelha guardaâ, junto com as manifestações chegou a hora de acabar com a corrupção e de mudar a forma como se administra o bem público
PRISCILLA VILELA
Da Reportagem
Quase ninguém previa que o paÃs vivenciaria, tão cedo, um perÃodo de revolução, entre estes, os membros do histórico âSenadinho Cuiabanoâ, pessoas de um tempo em que a juventude saÃa à s ruas para pedir o impeachment de Fernando Collor. Animados, eles afirmam apoiar a comoção e acham que agora, finalmente, Mato Grosso poderá acabar com a corrupção e extravasar o sentimento de revolta, preso há tempos. Integrantes do antigo cenário polÃtico estadual, eles acreditam que o momento de mudar a maneira de se governar chegou e que, enfim, os polÃticos estão dispostos a trabalhar dobrado. Uma tentativa de remediar a situação âcatastróficaâ em que o Estado chegou. O cirurgião dentista Eldivaldir Figueiredo, 79 anos, sentencia que a âcúpulaâ mato-grossense demonstra medo, bem como a presidente Dilma Rousseff (PT). âNão temos saúde, educação, mas a opinião popular manifesta que quer mudar as coisas. E democracia não é o poder para o povo? A própria presidente está com medo, tanto que chega a propor coisas inconstitucionais. Em Mato Grosso também estão correndo atrás do prejuÃzoâ, avalia, ressaltando que o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), se viu quase obrigado a reduzir em 10 centavos a tarifa de ônibus. âCaçulaâ no Senadinho, o professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), José Augusto de Palma, 66 anos, por sua vez, é um pouco mais rÃspido. De acordo com sua teoria sobre os motivos que levaram a população a despertar, a inflação, que provocou aumento no preço de alimentos mais básicos, e a elevação da tarifa do transporte público foram os pontos mais decisivos. âComentei, há uns seis meses, que a população estava engolindo a seco todos esses escândalos: o Mensalão, gastos infinitos com as obras da Copa, 39 ministérios. Agora vai dar samba, porque mexeram no bolso do povoâ, diz em tom bem humorado. Para ele, agora que o sentimento de reclame surgiu, vai ser difÃcil conter os protestos sem que haja uma efetiva melhora, ao menos nos setores mais básicos como saúde, educação e segurança. As mudanças, contudo, lembram os antigos reacionários, não podem ficar limitadas aos setores de atendimento, mas devem se estender ao ponto crucial de alterar toda estrutura polÃtica e por fim à corrupção. Entre as vitórias que eles avaliam já terem sido alcançadas está o arquivamento da PEC 37 pela Câmara Federal, mantendo a autonomia do Ministério Público de participar de investigações criminais. A transformação da corrupção em crime hediondo, por meio de um projeto apresentado pelo senador Pedro Taques (PDT), no entanto, ainda é avaliada com um pouco de receio. O grupo teme que polÃticos mais influentes consigam dar o famoso âjeitinho brasileiroâ. âIsso foi ótimo, mas pode ser que não mude nada. Acho que vão arranjar algum modo de amenizar a punição, mas isso também já representa o começo da mudançaâ, opina Eldivaldir. Com as primeiras alterações na estrutura da polÃtica começando a surgir, a âtrupeâ que, embora não esteja mais presente nos protestos, alerta que o movimento não pode esmorecer. âà necessário que haja uma mobilização para que esse movimento não acabe de repente. As coisas podem mudar. Esse é um novo começoâ, avalia José Augusto.