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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

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Sábado, 29 de Junho de 2013, 14h:22

MOMENTO HISTÓRICO

Senadinho comemora protestos populares

Para a “velha guarda”, junto com as manifestações chegou a hora de acabar com a corrupção e de mudar a forma como se administra o bem público

PRISCILLA VILELA
Da Reportagem
Quase ninguém previa que o país vivenciaria, tão cedo, um período de revolução, entre estes, os membros do histórico “Senadinho Cuiabano”, pessoas de um tempo em que a juventude saía às ruas para pedir o impeachment de Fernando Collor. Animados, eles afirmam apoiar a comoção e acham que agora, finalmente, Mato Grosso poderá acabar com a corrupção e extravasar o sentimento de revolta, preso há tempos. Integrantes do antigo cenário político estadual, eles acreditam que o momento de mudar a maneira de se governar chegou e que, enfim, os políticos estão dispostos a trabalhar dobrado. Uma tentativa de remediar a situação “catastrófica” em que o Estado chegou. O cirurgião dentista Eldivaldir Figueiredo, 79 anos, sentencia que a “cúpula” mato-grossense demonstra medo, bem como a presidente Dilma Rousseff (PT). “Não temos saúde, educação, mas a opinião popular manifesta que quer mudar as coisas. E democracia não é o poder para o povo? A própria presidente está com medo, tanto que chega a propor coisas inconstitucionais. Em Mato Grosso também estão correndo atrás do prejuízo”, avalia, ressaltando que o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB), se viu quase obrigado a reduzir em 10 centavos a tarifa de ônibus. “Caçula” no Senadinho, o professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), José Augusto de Palma, 66 anos, por sua vez, é um pouco mais ríspido. De acordo com sua teoria sobre os motivos que levaram a população a despertar, a inflação, que provocou aumento no preço de alimentos mais básicos, e a elevação da tarifa do transporte público foram os pontos mais decisivos. “Comentei, há uns seis meses, que a população estava engolindo a seco todos esses escândalos: o Mensalão, gastos infinitos com as obras da Copa, 39 ministérios. Agora vai dar samba, porque mexeram no bolso do povo”, diz em tom bem humorado. Para ele, agora que o sentimento de reclame surgiu, vai ser difícil conter os protestos sem que haja uma efetiva melhora, ao menos nos setores mais básicos como saúde, educação e segurança. As mudanças, contudo, lembram os antigos reacionários, não podem ficar limitadas aos setores de atendimento, mas devem se estender ao ponto crucial de alterar toda estrutura política e por fim à corrupção. Entre as vitórias que eles avaliam já terem sido alcançadas está o arquivamento da PEC 37 pela Câmara Federal, mantendo a autonomia do Ministério Público de participar de investigações criminais. A transformação da corrupção em crime hediondo, por meio de um projeto apresentado pelo senador Pedro Taques (PDT), no entanto, ainda é avaliada com um pouco de receio. O grupo teme que políticos mais influentes consigam dar o famoso “jeitinho brasileiro”. “Isso foi ótimo, mas pode ser que não mude nada. Acho que vão arranjar algum modo de amenizar a punição, mas isso também já representa o começo da mudança”, opina Eldivaldir. Com as primeiras alterações na estrutura da política começando a surgir, a “trupe” que, embora não esteja mais presente nos protestos, alerta que o movimento não pode esmorecer. “É necessário que haja uma mobilização para que esse movimento não acabe de repente. As coisas podem mudar. Esse é um novo começo”, avalia José Augusto.

Edição EDIÇÃO 16961




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