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Primeira Página
Terça-feira, 01 de Julho de 2008, 22h:26

PUNIÇÃO

Se condenada, PSDB prevê até expulsão

Partido da deputada estadual Chica Nunes acompanha a investigação da Polícia Civil sobre suposto esquema comandado pela parlamentar

JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
O PSDB poderá expulsar a deputada estadual Chica Nunes caso sejam comprovadas perante a Justiça as acusações de participação numa das maiores ‘farras’ nos cofres da Câmara de Cuiabá. A rejeição dentro do ninho tucano seria mais um episódio no currículo político já manchado por uma decisão de cassação do mandato e o indiciamento por cinco diferentes crimes. Numa eventual condenação criminal, o Estatuto do partido político prevê punições que vão desde a advertência à expulsão do filiado. O presidente do diretório municipal do PSDB, o advogado Ussiel Tavares, adverte que a ‘sentença’ política é aplicada conforme a análise e gravidade de cada caso, numa decisão conjunta entre a cúpula dirigente. Ussiel foi uma das pessoas que acompanharam o depoimento prestado por Chica Nunes à Polícia Civil, anteontem, na presidência da Assembléia Legislativa. O interrogatório foi conduzido por cinco delegados fazendários e durou cerca de cinco horas, noite adentro. A parlamentar negou qualquer participação no esquema. Além de Ussiel, o presidente da Assembléia, Sérgio Ricardo (PR), o primeiro-secretário da Casa, José Riva (PP), advogados e assessores acompanharam o interrogatório. Ussiel destaca que, no caso do PSDB, o interesse no caso é sobretudo institucional. Ele negou que a presença tenha se dado como ‘suporte’ a Chica. “O partido irá acompanhar o caso. É preciso ter ciência inclusive para eventuais punições estatutárias”. O alerta reacende a tese de uma filiada ‘acomodada’ desconfortavelmente no ninho tucano. No ano passado, por diversas vezes, despontaram articulações de que Chica acabaria se desligando dos quadros do partido diante de fissuras internas e pouca afinidade junto a alguns líderes do PSDB. Com a instituição de sanções à infidelidade partidária, a saída da sigla acabou sendo descartada. Na segunda-feira, a deputada estadual foi indiciada pela Polícia Civil por formação de quadrilha, peculato, falsidade ideológica, falsificação de documentos públicos e privados e coação de testemunha. Os autos seguirão esta semana para o Ministério Público Eleitoral, que deverá propor uma ação contra a parlamentar na Justiça. As investigações apontam que Chica foi a grande articuladora de suposto esquema que desviou ao menos R$ 6,695 milhões dos cofres da Câmara de Cuiabá em 2005 e 2006, quando a tucana, então vereadora, presidia o Legislativo local. O esquema era baseado em licitações fraudulentas, com o uso de empresas fantasmas e notas frias. Chica negou a existência da fraude. Em outro trecho de entrevista concedida à imprensa, ela declarou que seu “erro foi ter confiado demais nas pessoas”. O escândalo envolvendo os cofres da Câmara, contudo, não é o único na carreira política de Chica. No ano passado, ela foi condenada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) à cassação do mandato pelo crime de compra de votos. A prática teria ocorrido com a distribuição de cobertores e remédios num posto de saúde do bairro Pedra 90, de Cuiabá.

Edição EDIÇÃO 16969




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