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Segunda-feira, 18 de Novembro de 2013, 21h:36
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NEGROS
Representatividade política é baixa
Com 60% da população considerada como pretos ou pardos, Mato Grosso não tem um senador, deputado federal ou estadual negro. Vereadores também são minoria
THIAGO ANDRADE
Da Reportagem
Embora 60% da população mato-grossense se declare preta ou parda, ela ainda tem pouca representatividade na política do Estado. Nenhum senador, deputado federal ou estadual é considerado negro. Em Cuiabá, o vereador Juca do Guaraná Filho (PTdoB) é exceção. Um levantamento do portal Transparência Brasil, em parceria com o Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Sociais (Laeser) da UFRJ, mostra que essa não é uma situação apenas de Mato Grosso. Apesar dos negros representarem metade da população brasileira, essa representatividade não é refletida no Congresso Nacional. Apenas 9,8% dos deputados e senadores são pretos ou pardos. Na década de 1970, Mato Grosso teve seu primeiro senador negro. Valdon Varjão, natural de Barra do Garças, participou ativamente da política naquele período. Se declarava o primeiro negro a assumir uma cadeira no Senado. Para o analista político Louremberg Alves, cinco fatores levam à exclusão dos negros da política. O primeiro é, segundo ele, o fato de os partidos não serem democráticos. Todo partido tem um dono que decide quem serão os candidatos, antes mesmo das convenções. Em seguida, aponta que, muitas vezes, as agremiações são fechadas demais e o negro só consegue se sobressair quando um cacique o ajuda. É o mesmo que acontece com as mulheres. Todas foram puxadas por um cacique. Luciane Bezerra (PSB), pelo marido; Teté Bezerra (PMDB), também por seu esposo. Até mesmo a ex-senadora Serys Slhessarenko (PTB), também foi puxada por [Carlos] Bezerra, avalia. Outro fator é o movimento que existiu em Mato Grosso até meados da década passada, o Consciência Negra, que lutou pelo feriado que leva o mesmo nome e será comemorado nesta quarta-feira (20). Para Louremberg, quando lutam isoladamente, as minorias perdem espaço. Se estes grupos se unissem em uma única frente, teriam um maior poder de barganha e, consequentemente, mais espaço, avalia. O quarto fator é a própria legislação, uma vez que há incentivos a ações voltadas às mulheres, porém, o mesmo não ocorre com os negros. O quinto e último motivo trata da formação política do brasileiro. Se desde cedo houvesse essa formação, teríamos uma maior participação das minorias. Isso envolve a família e, até mesmo, a igreja, que precisa entender que também é responsável por essa formação, explica. Para a ex-vice-prefeita de Cuiabá, Jacy Proença (PSC), o que causa a baixa representatividade é que determinados espaços eram exclusivos para alguns setores da sociedade e muitos acreditavam que negros não deveriam participar da política. Ela conta que, quando de candidatou pela primeira vez, no final da década de 1980, sofreu preconceito e chegou a ser insultada durante o primeiro comício. Ao chegar à vice-prefeitura, criou uma diretoria de políticas raciais e conseguiu alguns feitos como colocar em prática no município a lei que torna obrigatório o ensino da história africana e afro-brasileira nas escolas. Segundo ela, Cuiabá foi a primeira Capital a adotar a legislação. Apesar disso, critica que outras lutas foram esquecidas quando deixou a administração. Jacy afirma que já solicitou audiência com o prefeito Mauro Mendes (PSB) para tratar do assunto. Juca do Guaraná avalia ainda existir muito preconceito contra o negro, mas pondera que a situação está mudando. Cita como exemplo o ministro Joaquim Barbosa, que chegou à presidência da mais alta Corte do país. Para o militante da causa negra Paulo Paixão (PDT), é preciso a criação de um programa que vise a maior inclusão dos negros em todos os setores. Ele avalia que o discurso de que negro não vota em negro é puro racismo e deve ser combatido com inteligência. Ficamos sem educação por 300 anos. Nossa luta é constante e passa principalmente pela educação, finaliza.