O relatório final da Comissão de Ética da Câmara de Cuiabá sobre a suposta quebra de decoro parlamentar por parte do vereador João Emanuel (PSD) deve ser entregue no próximo dia 17. No mesmo dia, o plenário da Casa deve decidir se cassa ou não o mandato do social-democrata. João Emanuel é acusado de envolvimento em crimes como grilagem de terras, falsificação de documentos e desvio de recursos públicos. A Comissão já analisa sua defesa. O próximo passo é a realização de uma oitiva com o vereador. Na manhã desta terça-feira (25), João Emanuel distribuiu durante a sessão o vídeo usado em sua defesa. Nele, a empresária Ruth Hércia Dutra apareceria inocentando-o das acusações. Em determinado momento da gravação, ela diz: João Emanuel não está nisso aí... Ele é só um menino rapaz. Em outro trecho a empresária, que teve dois terrenos supostamente grilados, chega a sugerir que o parlamentar não estaria envolvido no esquema de falsificação de documentos públicos. O João Emanuel não tem nada a ver com a história, afirma. O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), autor das denúncias contra o social-democrata, no entanto, garante que o vídeo apresentado pelo vereador não é um fato novo. A gravação também integra as provas do inquérito contra o parlamentar e teria sido feita durante uma reunião entre Ruth e assessores de João Emanuel. Segundo fontes do Ministério Público, a empresária teria afirmado aos funcionários de João Emanuel acreditar na inocência dele para atraí-lo para a reunião na qual ele aparentemente oferece vantagens em licitações da Câmara de Cuiabá. PROCESSO INTERNO - Foram as investigações do Gaeco que resultaram na instauração do processo interno contra João Emanuel na Câmara. Por conta das acusações, no fim do ano passado, ele renunciou à presidência do Legislativo. Agora, João Emanuel corre risco de ser perder o mandado. Caso isso aconteça, ele será o segundo parlamentar cassado pelo Parlamento cuiabano. O primeiro foi Lutero Ponce (PPS), acusado de desviar recursos do Legislativo municipal. O ex-vereador Ralf Leite (sem partido) também perdeu o mandato depois de se envolver com um travesti menor de idade. Em 2012, contudo, ele conseguiu na Justiça o direito de reaver o cargo.