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Quarta-feira, 28 de Março de 2012, 22h:46
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CARTAS DE CRÉDITO
Recomendação do MPE não será acatada, diz PGE
RENATA NEVES
Da Reportagem
O governo do Estado decidiu não acatar a notificação recomendatória encaminhada pelo Ministério Público Estadual (MPE) e manterá o parecer elaborado pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) e ratificado pelas secretarias de Administração e de Fazenda, que valida as cartas de crédito emitidas irregularmente em razão do acordo extrajudicial firmado com os Agentes de Administração Fazendária (AAFs). A resposta oficial será encaminhada ao MPE até a próxima sexta-feira (30), dentro do prazo de dez dias determinado pela legislação. Em entrevista ao Diário, o procurador-geral-adjunto do Estado, Nelson Pereira dos Santos, afirmou que o posicionamento do governo é o mesmo e não será alterado, ainda que o Ministério Público ingresse com ação, como já anunciou que fará. Ao ratificar o parecer da PGE, o Estado deixou claro que só recuaria ressalvada eventual decisão judicial ulterior, disse o procurador. No documento encaminhado ao governador Silval Barbosa (PMDB) e aos secretários de Administração, César Zílio, e de Fazenda, Edmilson dos Santos, o MPE recomenda que o Estado revise todas as certidões de crédito e suspenda os procedimentos de compensação tributária até que se apure o valor correto das cartas. Sugere ainda que, após a revisão dos cálculos e correção dos erros, os créditos que ainda não tiverem sido utilizados sejam convalidados com a expedição de nova carta de crédito que deve ser entregue aos titulares, mediante recibo e respectivo procedimento administrativo. Nelson dos Santos reforçou o argumento de que o cancelamento das cartas de crédito já emitidas em razão do acordo geraria um verdadeiro caos administrativo e insegurança jurídica ao Estado. Isso é totalmente inexequível. Se tiver que rever os valores, o Estado vai viver momentos de incerteza e instabilidade jurídica por pelo menos cinco anos. A principal dificuldade, segundo ele, seria reaver os recursos das cartas de crédito que já foram compensadas. Dos R$ 647 milhões pagos pelo governo, aproximadamente R$ 300 milhões já foram compensados. Quando o Estado for citado na ação que o MPE promete ingressar, terá que chamar os cerca de 300 servidores com os quais o acordo foi firmado, além de todos os empresários e empresas que adquiriram as certidões de crédito. O que o MP propôs não é factível, justificou. O procurador-geral-adjunto afirmou compreender a postura adotada pelo MPE, mas criticou as recomendações feitas ao Estado e disse que tudo não passou de jogo de cena do órgão. É fácil pedir para fazer tudo de novo quando se trabalha sem compromisso com as consequências de seus atos, disparou Nelson dos Santos. As cartas de crédito foram emitidas a título de indenização aos agentes fazendários, que buscam isonomia salarial aos demais funcionários da Pasta desde 1996. Enquanto os agentes fazendários afirmam que a dívida total do governo com a categoria é de R$ 1,2 bilhão (valor reduzido a R$ 444 milhões com o acordo, em que aceitaram receber 37% do total), a PGE diz que é de R$ 809 milhões e a AGE de aproximadamente R$ 500 milhões. O que houve foram entendimentos diferentes ao interpretar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A PGE levou em conta direitos dos servidores que a AGE entendeu não serem devidos, finalizou Nelson.