O deputado estadual Walter Rabello (PP) sustentou a tese de perseguição política por parte da cúpula do PMDB para justificar a saída do partido rumo ao PP em audiência realizada ontem no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O argumento foi respaldado por três testemunhas, entre elas o deputado Roberto França. Nos depoimentos ainda foi destacada a figura do líder Carlos Bezerra (PMDB) como o mentor de investidas contra Rabello. Rabello corre o risco de perder o mandato parlamentar caso seja considerado culpado pelo TRE no imbróglio envolvendo a polêmica da infidelidade partidária. O parlamentar, líder nas pesquisas de intenção de votos à prefeitura de Cuiabá, teria tido o projeto de candidatura ameaçado num plano de aliança com o prefeito Wilson Santos (PSDB) arquitetado pelo presidente do PMDB no Estado, deputado federal Carlos Bezerra. Audiência de instrução foi conduzida na tarde de ontem pelo juiz Renato Vianna, relator do processo de perda de mandato. Conforme a tônica dos depoimentos, além de dividendos políticos diretos no apoio à reeleição, Bezerra ainda estaria procurando minar a ascensão pública de Rabello ante décadas como líder máximo do PMDB em Mato Grosso. O deputado Roberto França entregou ao juízo transcrições de reportagens exibidas em seu programa de televisão, Resumo do Dia. As matérias reportam declarações de membros do PMDB, entre eles vereadores da Capital, expondo o apoio à aproximação com o prefeito Wilson Santos ou sinalizando conversações entre as duas legendas PMDB e PSDB. Ao adotar o rótulo de analista político diante do caso envolvendo Rabello, França afirmou que ficava clara as pressões contra Rabello dentro de sua antiga agremiação para fritar sua candidatura. Vim como homem da imprensa e não como colega deputado. Alguns dirigentes deixaram clara a intenção de compor com Wilson. Tendo um candidato que lidera as pesquisas há mais de um ano, isso é no mínimo intrigante, questionou o parlamentar. O TRE determinou o prazo de até 48 horas para a apresentação das alegações finais pela defesa de Rabello e Ministério Público Eleitoral (MPE). Em função do final de semana, o prazo expira na segunda-feira (10). A partir dos últimos argumentos, o juiz relator do caso irá analisar os autos e proferir o voto. O pedido de inclusão na pauta de votações do Pleno do TRE precisa obedecer a uma janela de mais 48 horas de antecedência. Com todo o rito final, a projeção é de que o julgamento ocorra no dia 18 de março. Walter Rabello figura como um dos casos mais notórios na polêmica lista da infidelidade partidária em Mato Grosso, em meio a 473 processos contra políticos do Estado. Seu nome foi o alvo do primeiro requerimento protocolado pelo MPE, após o PMDB ter desistido de propor ação judicial.