Mato Grosso foi um dos destaques em reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Dívida Pública, realizada ontem, em Brasília. Na reunião, os membros da comissão aprovaram a proposta apresentada pelo secretário estadual de Fazenda, Éder Moraes, de reestruturação das dívidas conforme defende o Estado. Segundo a proposta, contida em três eixos, foram acatados inicialmente pontos como a redução do comprometimento da receita corrente líquida de 15% para 10% com o pagamento das parcelas das dívidas, a extinção de juros compostos e ainda a adoção de juros prefixados com a retirada do indexador. De acordo com levantamento do Estado, a previsão é de que Mato Grosso pague para a União o valor de R$ 750 milhões referente a dívida pública. A proposta do Estado, que conta com aval do governador Blairo Maggi (PR), tenta alterar o modelo vigente de cobrança. No atual sistema a cobrança ocorre em meio à retirada de recursos dos estados. Esse fator em especial tem sido a bandeira de Mato Grosso para solicitar a mudança, já que no entendimento do chefe do Executivo estadual os valores pagos para a União poderiam se transformar em investimentos em áreas como a de infraestrutura. Na defesa de Mato grosso também consta a argumentação de que sobrariam mais recursos para a melhoria da qualidade de vida da população mato-grossense. Reafirmamos aos deputados a proposta de Mato Grosso. É necessário se retirar o indexador inflacionário que é o IGP-DI. Nós queremos que o comprometimento da receita corrente líquida com o pagamento das parcelas das dívidas seja de no máximo 10% e não dos atuais 15%, disse o secretário. Éder Moraes destacou ainda que com a renegociação desta forma estados e municípios poderão planejar melhor o futuro, tendo um mapa claro sobre as dívidas. Hoje as dívidas estão em um horizonte interminável. A partir desta proposta a União garante o recebimento dos recursos através de parcelas fixas. Outro ganho substancial é que à medida que forem passando os anos diminuirá sobremaneira o comprometimento das parcelas em relação às suas receitas. Assim as receitas sempre crescerão e as parcelas continuarão fixas, o que descomprime a capacidade de investimentos dos estados e municípios, enfatizou. Ele também propôs acionar o Supremo Tribunal Federal (STF), através do Ministério Público Federal, em ação que atestaria a ilegalidade do atual modelo de cobrança de juros, correções e indexadores flutuantes.