Caso a via final da renegociação se dê no campo das articulações políticas junto ao governo federal, a investida mato-grossense se tornará uma verdadeira prova real do prestígio do governador Blairo Maggi junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na prática, será preciso observar se o Planalto, em favor de um aliado, aceitará a queda nas taxas de juros e nos ganhos que incidem hoje sobre o contrato com o Estado. Para Mato Grosso, a troca do IGP-DI pelo IPCA embutiria vantagens já a curto prazo. Caso a alteração tivesse entrado em cena em 2007, ela representaria um alívio de 3,3% na carga anual de juros desembolsada pelo Estado junto à União. O percentual corresponde a praticamente R$ 200 milhões no período. No ano passado, o IGP-DI atingiu a marca de 7,75%. Em contraste, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou no mesmo período uma variação de 4,46%. Para 2008, o governo federal trabalha com a meta de 4,5% para o IPCA, o principal termômetro da inflação no país. A alternativa vislumbrada com o IPCA se dá no momento em que especialistas apontam para a continuidade da escalada do IGP-DI no país. Informações divulgadas nesta semana nos principais jornais do país também ditam que a onda de alta tende a se firmar em 2008. Até março, o indicador acumula uma elevação de 2,08% no ano e de 9,18% nos últimos 12 meses. No contrato vigente da dívida pública do Estado, o IGP-DI é somado a uma taxa fixa de 6%. Em 2007, essa conta se fechou sobre o patamar de 13,75%. O cômputo final ainda é influenciado pelas oscilações da moeda norte-americana, o dólar. No projeto de reestruturação, é destacada a substituição do dólar pelo real como balizador monetário. Em 2007, Mato Grosso desembolsou R$ 658 milhões em parcelas de pagamento do passivo público. (JS)