O presidente do diretório regional do PSDB, Antero Paes de Barros, foi um dos primeiros a encontrar o prefeito Nilson Leitão no momento da chegada a Cuiabá, por volta das 22h de segunda-feira. O gestor também foi recebido na Capital pela esposa e um dos filhos. O prefeito concede coletiva à imprensa amanhã, em Sinop. Antero relata que Leitão estava bastante abatido e revoltado com a prisão e as acusações de participação no esquema de desvio de dinheiro público. Ele está muito indignado e disse que irá explicar toda a questão na coletiva de quinta-feira, mas que primeiro quer ficar com a família. O dirigente tucano não deu detalhes do desenrolar da conversa com Leitão e nem o local do encontro. O retorno ao Estado na noite de anteontem longe dos olhos da imprensa se estendeu com a chegada silenciosa a Sinop. Em nota oficial publicada no site da prefeitura, a assessoria de comunicação informa que Leitão está abatido com os acontecimentos dos últimos cinco dias e que seguiu diretamente ao encontro de sua esposa, filhos, mãe e irmãos. Conforme o posicionamento oficial, Leitão pede a compreensão de todos da imprensa neste momento, no sentido de respeitar a decisão tomada por ele. A prefeitura ainda destaca em nota que o gestor prestará esclarecimentos à sociedade em momento oportuno. O prefeito é suspeito de integrar uma quadrilha de desvio de dinheiro público com ramificação em pelo menos quatro Estados e Distrito Federal. As investigações começaram em novembro do ano passado e o inquérito corre em segredo de Justiça. De acordo com as informações da Polícia Federal, os articuladores do esquema estavam infiltrados em prefeituras, nos governos estaduais e no governo federal. A prática criminosa se baseava no desvio de recursos destinados a obras públicas, via licitações fraudulentas, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. As licitações incluíam projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Luz Para Todos. O panorama das investigações aponta como principais fontes de recursos usurpadas na fraude os ministérios de Minas e Energia, Integração Nacional, Cidades e do Planejamento. O Departamento Nacional de Infra-estrutura dos Transportes (Dnit) também era outro alvo da quadrilha. O esquema ainda era articulado nos Estados de Sergipe, Alagoas, Piauí e Maranhão e também no Distrito Federal. Na esfera municipal, as prefeituras identificadas até agora são Sinop e Camaçari, na Bahia. (JS)