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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

Primeira Página
Sábado, 22 de Março de 2008, 12h:50

ENTREVISTA

PR não veta aliança com qualquer sigla

Presidente Moisés Sachetti se mostra otimista com o cenário eleitoral hoje em Mato Grosso e aposta na dinâmica da política

SONIA FIORI
Da Reportagem
Presidente do Partido da República em Mato Grosso, Moisés Sachetti assumiu uma missão, no mínimo, desafiadora de lançar projetos próprios na maioria dos 141 municípios do Estado. O dirigente partidário planeja ações para perfazer um resultado arrojado que visa superar a atual posição da legenda, ou seja, alcançar 80 prefeituras. Nas articulações que já se iniciam, o PR está aberto a entendimentos com todos os partidos, direcionando os possíveis impasses às questões “locais”. Sachetti destaca ainda a capacidade de a sigla conseguir vencer o pleito de 2008 nos três maiores colégios eleitorais: Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, respectivamente. Contudo, ainda não aponta uma saída para o partido na Capital mato-grossense, onde persiste a indefinição sobre o nome do sucessor do deputado Sérgio Ricardo (PR) na liderança de chapa. O nome do empresário Mauro Mendes continua uma incógnita. Segundo ele, a legenda mantém o objetivo de lançar candidato à Prefeitura de Cuiabá. Moisés nega um possível mal-estar entre o partido e Sérgio Ricardo e, em princípio, não vê possibilidade de o PR abrir mão do projeto próprio para aliar-se a outras siglas, como o DEM. Nesta entrevista ao Diário, Moisés reforça o nome do diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, para liderar a disputa ao governo do Estado em 2010. Acentua ainda a intenção da legenda de projetar a candidatura do governador Blairo Maggi para uma eventual disputa à Presidência da República. Diário de Cuiabá - Como o senhor analisa a posição do PR hoje no Estado e quais são as metas para o pleito de 2008. Moisés Sachetti - O PR é o maior partido do estado de Mato Grosso. Hoje nós contamos com 67 prefeitos, cinco deputados estaduais, dois federais e o governador. O objetivo para a eleição de 2008 é de que nós deveremos lançar candidaturas majoritárias em 100 municípios, e o objetivo estabelecido são 80 prefeituras. Diário - O PR, quando foi criado e com a migração do governador, conseguiu se fortalecer com uma adesão em massa, principalmente do PPS. O senhor acha que o partido conseguirá passar o pleito de 2008 com o mesmo fôlego daquele momento? Sachetti - Eu creio que o partido aumenta o fôlego. É nossa obrigação, realmente, se queremos testar o partido e ver o PR forte, incluindo também um projeto maior em nível nacional. Primeiro, já estabelecendo o próximo objetivo do candidato a governador na pessoa do Luiz Antônio Pagot e estabelecendo uma possibilidade do governador Blairo Maggi ascender a um cargo em nível nacional. A gente tem de fazer a lição de casa. Então, no PR nós estabelecemos metas altamente reais. Diário - Com a saída do governador Blairo Maggi da presidência do PR no Estado muitas pessoas, a exemplo do deputado Sérgio Ricardo, temem que no pleito de 2008 haja algum tipo de prejuízo político. Há algum planejamento do partido para que o governador participe do projeto do partido para as eleições municipais? Sachetti - Sem dúvida! Eu acho que além de governador, o Blairo Maggi é um partidário e como partidário ele deve participar do pleito não só em Mato Grosso e sim também em algumas cidades em nível nacional. Ele é o presidente de honra do Partido da República em nível nacional. Diário - O partido hoje já discute com o governador a defesa feita no PR em nível nacional de que ele dispute em 2010 a presidência da República? O senhor, particularmente, defende isso? Sachetti - É o desejo de todo o PR. O governador Blairo Maggi está colocando uma nova forma de governar, com eficiência, com transparência, honestidade e ousadia. É uma filosofia que ele conseguiu repassar a terceiros, visto que há um grande número de pessoas que nunca antes se atreveriam a participar do processo político e hoje estão participando. Pessoas que já participavam do processo econômico, social e às vezes setorial, através de associações ou clubes de serviços, mas que não tinham ascensão política ou vislumbravam participar da questão política. Essas pessoas estão discutindo política e estão participando e colocando seus nomes para avaliação popular. Diário - O nome do Pagot é um nome pronto ou precisa ser trabalhado para 2010? Sachetti - O Pagot já tem reais serviços prestados à sociedade mato-grossense e eu creio que o Brasil começa a conhecer Pagot a partir do mês de julho, eu diria. Até agora por questões orçamentárias, ele pegou um orçamento já pré-agendado e a partir de julho já tem condição de mostrar a capacidade empreendedora do Luiz Antônio Pagot. Ele é um grande empreendedor, uma pessoa com uma visão de logística e de vasto conhecimento da geopolítica brasileira e sul-americana. E com isso, tenha certeza, Mato Grosso deve ganhar em termos de infra-estrutura, assim como o Brasil deve também ganhar muito em termos de infra-estrutura. Diário - Presidente, o DEM sustenta hoje a tese do senador Jonas Pinheiro (falecido em fevereiro passado) de que o PR deveria em 2010 apoiar o candidato do Democratas para a disputa ao governo do Estado. O senhor vê alguma chance de o PR retroagir do projeto próprio? Sachetti - Do projeto próprio não, da coligação talvez. Nós temos um projeto próprio já colocado com candidato já se pondo à disposição do partido e nós não devemos abrir mão do projeto próprio. Diário - No âmbito das alianças, existe alguma restrição a partidos? Sachetti - Nós não temos restrição a partido nenhum. Diário - E essa questão, por exemplo, com o deputado José Riva (PP), que parece estar insatisfeito com o tratamento dispensado pelo governo à sua legenda, o senhor teme que se forme um bloco de oposição na Assembléia Legislativa com reflexos para o pleito de 2008? Sachetti - Não existe ‘assembleísmo’. O que existe são partidos políticos e existe um compromisso de partido na base do governo. Agora, falando não como dirigente do PR e sim como assessor do governador, existe um compromisso e esses compromissos têm que ser cumpridos. Diário - Quer dizer que essa posição do deputado Riva para o senhor é uma questão isolada e não reflete no relacionamento entre PP e PR? Sachetti - Não, absolutamente. Acho que a questão do Riva é uma questão interna do PP. Se existe discrepância lá dentro, quem tem que resolver não é o governador, não é o PR. Diário - Vamos falar dos três maiores colégios eleitorais, começando por Cuiabá: a situação posta com a desistência da disputa do deputado Sérgio Ricardo e ainda assim a falta de confirmação da proposta de lançar o Mauro Mendes. O partido ainda aposta que o nome é o Mauro Mendes? Sachetti - Nós estamos trabalhando no campo dos ideais, conversando bastante com o Mauro Mendes, e devemos ter essa resposta até o dia 15 de abril e a colocação do nome que será o candidato do PR até essa data. Diário - Se for uma resposta negativa, presidente, existe a possibilidade de se pensar outro nome? Sachetti - Todas as possibilidades existem. Com uma política dinâmica, todas as possibilidades existem. Diário – Inclusive, apoiar outro projeto próprio de outro partido? Sachetti - Nós deveremos ter candidato em Cuiabá. Diário - Como o senhor vê uma aliança, por exemplo, com o DEM? Sachetti - Não foi estudado ainda. Diário - Descartaria uma aproximação entre o PR e o PSDB em Cuiabá? Sachetti - Não foi conversado ainda. Diário - Em relação ao deputado Sérgio Ricardo, houve falta de apoio do partido? Sachetti - Em momento algum! Eu diria que alguns tentaram colocar ou fechar uma cisão interna dentro do PR. Alguns de fora, alguns que tinham interesse de que o PR quebrasse. Diário – Quem, presidente? Sachetti - Outros, outros possíveis concorrentes do PR. Antes da eleição, todos os partidos são ao mesmo tempo parceiros e adversários. Esse antagonismo das posições em determinado momento você tenta dividir o outro, para enfraquecer. Não tenho dúvida de que o deputado Sérgio Ricardo, tão logo nós tenhamos o projeto de Cuiabá colocado na mesa, ele será um grande apoiador. Diário – Em Várzea Grande, o prefeito Murilo Domingos é a aposta do partido? Sachetti - O prefeito Murilo Domingos é candidato à reeleição, tem reais serviços prestados à sociedade. Eu diria que o prefeito é incompreendido pela sociedade várzea-grandense pela rejeição que alguns dizem que ele enfrenta. Se nós verificarmos os números de Várzea Grande, são uns dos melhores do estado de Mato Grosso, seja na saúde, na educação, na habitação... O prefeito Murilo Domingos começou o seu mandato sem gabinete e hoje está lá, um belo prédio para atendimento da população várzea-grandense. Eu diria que houve muita contrapropaganda. Diário - O senhor acha possível reverter isso? Sachetti - É possível reverter. Alguém fala assim: você tem o pé sujo, mas seu pé está escondido. Aí um dia você tira a meia e mostra o seu pé e ele é limpo. Você entendeu? Basta que ele tire a meia e mostre quão limpos são os pés dele. Mas pela humildade dele, pela ponderação dele... chamam humildade de fraqueza em Várzea Grande. Chamam ponderação de letargia, então na verdade a contrapropaganda que foi feita em cima da pessoa Murilo Domingos é que o tem levado a essa rejeição propalada por alguns. Diário - Em Rondonópolis, o prefeito Adilton Sachetti tenta a reeleição. O senhor vê a chance real de superar um dos principais adversários, como o deputado José Carlos do Pátio? Sachetti - Eu não vejo o assim. Mais uma contrapropaganda que está sendo feita. Bastam os vereadores que estão lá, a coligação nossa lá tem nove vereadores. Basta que os vereadores saiam para trabalhar, saiam para campanha de agora em diante, e não tenho dúvida de que em pouco tempo esse balão de ensaio do adversário será murchado. Diário - O senhor está deixando a assessoria especial da Governadoria? Sachetti - Eu devo sair do governo, eu devo comunicar o governador agora no final do mês. Vou ver se o governador quer que eu cuide de algum outro assunto. Eu, especialmente, tenho trabalhado muito nesse assunto de regulamentação e valoração dos ativos ambientais. Diário - O senhor acha que as regras da fidelidade partidária de alguma forma arranharam o PR, com filiados que acabaram voltando atrás? Existe esse diagnóstico? Sachetti - Eu diria que nós teríamos um número maior de filiados naquele instante, mas que se retraíram em virtude do medo que houve das questões das regras da fidelidade partidária. Entretanto, eu hoje como presidente do partido verifico que sempre houve a necessidade de ser cobrada a fidelidade partidária para que realmente houvesse um maior fortalecimento dos partidos. Diário - O senador Jonas Pinheiro era considerado padrinho político do governador. O senhor acha que a morte dele fere de alguma forma esse entendimento entre DEM e PR ou continua no mesmo patamar? Sachetti - Faz falta, sim, até pela pessoa do senador Jonas Pinheiro, um grande conciliador, uma pessoa extremamente ponderada, que sempre buscou o entendimento com vistas ao melhor plano de desenvolvimento do estado de Mato Grosso. Ele conseguiu evitar muitas vezes algumas vaidades pessoais, hora de um lado, hora do outro, contornado essas vaidades com o intuito de buscar um entendimento e a evolução social. Então, eu creio que está um pouco prejudicado, talvez pela ausência dele e pela sabedoria dele. Mas isso não quer dizer que exista rompimento ou coisas do tipo. Diário - Para selar composições, o PR dará autonomia aos diretórios municipais? Sachetti - Sem dúvida e já está havendo essa autonomia. Nós temos alguns casos onde os diretórios principais já têm suas composições praticamente prontas, ora apoiando esse ou aquele partido, não especificamente, mas dependendo da composição da sua cidade. Diário - O deputado Wellington Fagundes colocou uma vez que a gestão do Adilton Sachetti era mais voltada para o administrativo, que ele fazia muito, porém acabava pecando na articulação política. O senhor analisa dessa forma? Sachetti - Quem pega uma prefeitura para tocar, ele tem que fazer política, dar tapinha nas costas ou trabalhar pela maioria da população? Eu não vejo assim, o conceito é errado. Na prefeitura, o cara tem que ser um bom administrador. O que a população quer? Um serviço para ser bem atendida, uma necessidade para seus familiares, seja na questão de saúde ou educação? A população quer isso ou quer conversa mole? Se a pessoa é um bom administrador, é claro que tem que ser reconduzido. A população precisa ser bem atendida, saber que tem emprego, sua dignidade recuperada. Você não pode mentir para a população, que no fundo está cansada de mentirosos. Só que ela ainda acredita em alguns mentirosos e no momento certo, quando começar a ser feito um comparativo do mentiroso com aquele que trabalha, com certeza nós teremos a preferência da população, que é inteligente e que sabe o que quer.

Edição EDIÇÃO 16963




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