Primeira Página
Sexta-feira, 11 de Julho de 2008, 21h:43
A
A
CONJUNTURA
PR insiste para Sérgio engajar no pleito
Cúpula republicana se reúne com Sérgio Ricardo para convencê-lo a entrar na campanha de Mauro Mendes à prefeitura de Cuiabá
JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
Líderes do Partido da República (PR) pressionarão o deputado estadual Sérgio Ricardo (PR), em reunião marcada para esta segunda-feira (14), a se engajar na campanha do empresário Mauro Mendes à prefeitura de Cuiabá. Como trunfo, a sigla deverá lançar mão da sombra da infidelidade partidária para forçar o parlamentar a subir no palanque na Capital. No front de pressões sobre Sérgio, terá posição de destaque o governador Blairo Maggi (PR), líder maior da agremiação no Estado, ao lado de membros do diretório municipal e estadual do PR. Participarão do encontro, marcado para as 18h, os cinco deputados estaduais e os dois federais que compõe a bancada do PR: além de Sérgio Ricardo, Wagner Ramos, Mauro Savi, João Malheiros, Sebastião Rezende e os federais Homero Pereira e Wellington Fagundes. Sérgio Ricardo tem argumentado que uma abarrotada agenda como presidente da Assembléia Legislativa o impedirá de subir no palanque de Mauro Mendes e participar de outros eventos de campanha. Num evidente contra-senso, ele chegou a informar que irá participar de campanhas de candidatos do PR em vários municípios do interior, alguns deles localizados a mais de 500 km da Capital, que é propriamente sua base eleitoral. De acordo com o presidente estadual do PR, Moisés Sachetti, a reunião servirá não apenas para que o partido converse institucionalmente com Sérgio, mas acima de tudo com todos os deputados. Ele declara que o objetivo é unificar práticas no partido, definir a participação do grupo e discutir o que ele define como a auto-regulação do sistema da fidelidade partidária. As explicações deixam nas entrelinhas que retaliações poderão surgir a dissidentes, seja na via estatutária do partido, seja até mesmo na via judicial. O que é infidelidade? É só trocar de partido ou é não seguir aquilo que o partido escolhe, define? Essa questão ainda está muito solta. Daqui a pouco a Justiça pode ser provocada para se manifestar. E se isso acontecer?, questiona o dirigente, numa fala que pode ser interpretada como sonoro recado aos quadros da legenda, incluindo Sérgio. No ensaio do discurso que será emitido na segunda-feira, Sachetti argumenta que a concentração de forças políticas em prol da candidatura de Mauro Mendes e de outros postulantes contribui, inclusive, para a redução de custos de campanha e mais eficiência na captação de votos. Cada auxílio tem que ser colocado no momento certo, no lugar certo, na hora certa. Quando se pende para outro lado, até o custo aumenta, sentencia. Perante a Justiça Eleitoral, Mauro Mendes declarou uma estimativa de gastos da ordem de R$ 3,5 milhões. O volume foi considerado subestimado no meio político diante de um candidato que disputa sua primeira eleição e de baixa inserção popular. Na linha do discurso encampado pelo PR, Sérgio seria um aliado precioso. Em 2004, ele disputou a prefeitura de Cuiabá com o apoio do grupo político que hoje forma o PR. Com cerca de 60 mil votos, ele foi derrotado no primeiro turno.