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Sábado, 16 de Abril de 2011, 13h:28

‘FAMILIOCRACIA’

Política em família é recorrente em MT

Assembleia Legislativa é um dos casos típicos de como a política é usada para favorecer parentes de parlamentares

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
No Brasil, a política muitas vezes é considerada um negócio de família. Durante as eleições é muito comum ver candidatos que exploram a imagem e legado políticos de membros da família que já ocuparam mandados e foram, ou ainda são, lideranças políticas. O reflexo disso é visto na lista dos eleitos. Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, dos 24 deputados estaduais, nove têm algum parentesco com figuras políticas, ou seja, 37,5% dos parlamentares pertencem à chamada “familiocracia”. Se forem incluídos na lista os deputados licenciados, o índice aumenta. Dos cinco deputados licenciados, três têm parentes políticos. Desse modo, o número de deputado que dão um empurrãozinho ou são empurrados por parentes chega a 12. No levantamento é levado em consideração o fato do parlamentar ajudar o agente político ou ser ajudado. No caso do presidente da Assembleia Legislativa, por exemplo, o deputado José Riva ajudou a eleger dois de seus irmãos como prefeitos de cidades do interior. Riva, que está no quinto mandato consecutivo de deputado estadual, ajudou a eleger o irmão Priminho Riva como prefeito de Juara e Paulo Rogério Riva como prefeito de Tabaporã. Já o deputado Dilmar Dal Bosco é o caso clássico daqueles que “entraram na onda” do parente que já tinha o poder. Dilmar é irmão do deputado estadual Dilcel Dal Bosco, que na eleição passada concorreu ao cargo de vice-governador, na chapa encabeçada pelo ex-prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB). Com uma reeleição dada como garantida para deputado estadual, Dal Bosco investiu na campanha do irmão e conseguiu transferir votos para ele. Algumas tentativas são sem sucesso, como o caso do deputado Wallace Guimarães. A esposa dele, Jaqueline Guimarães (PHS), foi candidata a deputa federal na eleição 2010, mas sem grande sucesso nas urnas. A deputada estadual licenciada Teté Bezerra (PMDB) é outra agente política que foi emplacada na vida pública por causa do marido. Esposa do deputado federal e ex-governador de Mato Grosso, Teté já conseguiu se eleger deputada federal e na eleição 2010, enquanto seu marido se reelegeu para a Câmara Federal, ela ficou no Legislativo estadual. Licenciada, ela ocupa cargo de secretária de Estado de Turismo. Outro caso clássico em Mato Grosso da chamada familiocracia é o da família Campos. Em Várzea Grande, dos últimos 14 prefeitos, seis são da família Campos. Porém, eles não pararam no Executivo municipal. Júlio Campos (1983-1986) e Jayme Campos (1991-1994) foram governadores de Mato Grosso. Hoje Jayme é senador, com mandato até 2014, e Júlio, depois de passar pelo Tribunal de Contas do Estado, se elegeu deputado federal na eleição 2010. O espólio dos Campos chega até a terceira geração, com Campos Neto, que hoje é conselheiro (TCE), num outro caso de herança política. Campos Neto foi vereador por Várzea Grande e chegou à Assembleia Legislativa até ganhar o cargo de conselheiro, dado por seu próprio pai, Ary Leite de Campos.

Edição EDIÇÃO 16962




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