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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009, 20h:51

ESCÂNDALO SEXUAL

PMs e menor mantêm versão contra Ralf

Policias voltaram a prestar depoimento na Comissão de Ética ontem. Travesti ainda tentou negar 1ª versão, mas em seguida voltou atrás

ALEXANDRE APRÁ
Especial para o Diário
O vereador Ralf Leite (PRTB) não compareceu às oitivas das testemunhas que foram arroladas por seus advogados no processo por quebra de decoro parlamentar que responde junto à Câmara Municipal de Cuiabá. Foram ouvidos pela Comissão de Ética os policiais militares que o prenderam no dia 6 de fevereiro passado, o travesti D.B.S.C., de 17 anos, e a sua mãe, Maria Santa de Liz Silva, 35 anos. As audiências aconteceram no plenarinho da Câmara Municipal. Todos foram ouvidos separadamente. As oitivas foram realizadas as “portas fechadas” e o menor saiu sem falar com a imprensa, atendendo a um pedido do Ministério Público Estadual (MPE). Além da ausência do próprio vereador acusado, nenhum dos seus advogados esteve presente nas oitivas que começaram as 14h15 e terminaram por volta das 15h30. Aos vereadores Éverton Pop (PP) e Domingos Sávio (PMDB), presidente e relator da Comissão, respectivamente, os policiais reafirmaram tudo que já haviam dito aos próprios vereadores na audiência de esclarecimento, realizada depois que a Comissão de Ética foi acionada pela Mesa Diretora para verificar se havia indícios de quebra de decoro. Foi depois dessa audiência que o processo disciplinar foi aberto. Os PM´s Uanderley Benedito Costa e Fábio Gomes de Oliveira reafirmaram que sofreram ameaças do vereador e que ele chegou a oferecer dinheiro para que o liberassem. O menor de idade, conhecido por Rafaela, também confirmou todos os fatos. Éverton Pop conta que, no início do depoimento, o adolescente chegou a negar que foi flagrado em ato libidinoso com o parlamentar. Depois, voltou atrás e disse que estava nervosa. O travesti admitiu que presenciou a briga entre os policiais. Em depoimento, o menor e a mãe do adolescente confirmaram que receberam a proposta de duas pessoas para que mudassem os depoimentos já dados em troca de dinheiro. O menor contou que foi procurado por duas pessoas, uma identificada como “Babalu” e um outro advogado, o qual o adolescente afirmou não se recordar o nome. Ele disse que lhe foi oferecidO a quantia de R$ 20 mil para que ele e sua mãe mudassem de cidade. Depois do depoimento das testemunhas, Domingos Sávio disse estranhar a ausência do vereador Ralf Leite e de seus advogados. “Isso é estranho. Os advogados do vereador (Ralf) pedem as oitivas e não se fazem presentes”, questionou peemedebista, destacando que a defesa de Ralf já procurou a Justiça para barrar o trabalho da Comissão, alegando cerceamento de defesa. A partir de agora, a Comissão deverá notificar o vereador do PRTB para que ele apresente em 15 dias as suas alegações finais, ou seja, sua defesa após os depoimentos de suas testemunhas. Depois disso, a Comissão deverá apresentar o seu parecer, que será apreciado em plenário.

Edição EDIÇÃO 16961




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