O senador Pedro Taques (PDT) usou ontem a tribuna do Senado Federal para defender a extradição do ex-ativista Cesare Battisti - preso no Brasil desde março de 2007 e protagonista de um processo de extradição solicitado pelo governo da Itália, país onde foi condenado sob acusações de assassinato. Este criminoso deve ser enviado para a Itália sob pena de transformarmos a República Federativa do Brasil num esconderijo de criminosos, disse o mato-grossense, durante a sessão presidida pela 1ª-vice-presidente da Casa, senadora Marta Suplicy (PT-SP). O assunto foi levantando pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) que, além de defender a permanência do italiano no país, proferiu a leitura de uma carta escrita por Battisti e endereçada aos parlamentares. O senador do PT pretende agendar uma reunião com a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) para ouvir a versão do italiano. Não podemos ter medo das palavras. Cesare Battisti cometeu crimes. Esta afirmativa se faz levando em conta um juízo de fato. Ele foi condenado pela Justiça italiana e teve a condenação mantida. Diante disso, estamos a tratar, não de um debate ideológico, mas de um debate de fato, defendeu Pedro Taques. O pedetista também contestou a informação de que a condenação de Battisti na Itália, por quatro homicídios, foi "baseada fundamentalmente em delação premiada e produzida em ambiente político conturbado", conforme defendeu Suplicy. Segundo Taques, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o crime não é político. Além disso, o STF determinou que o presidente da República respeitasse o tratado internacional. Referendado pelo Congresso Nacional, o tratado só impediria a extradição do italiano em caso de risco de perseguição no país a que seria destinado.